Elétricas colocam em risco plano de Dilma para reduzir conta de luz

quinta-feira, 8 de novembro de 2012 19:03 BRST
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA, 8 Nov (Reuters) - A resistência de grandes empresas do setor elétrico em renovar suas concessões nos termos propostos pelo governo federal ameaça a promessa da presidente Dilma Rousseff de reduzir a conta de luz em 2013 e pode ter, inclusive, efeitos sobre a política monetária.

A estatal mineira Cemig já deixou fora da lista de prorrogações três hidrelétricas que somam potência de 2,5 mil megawatts (MW). Somente nesse caso, uma fonte do governo calcula um impacto de menos 1 ponto porcentual na redução média da tarifa anunciada ao usuário final, que foi de 20 por cento.

Além das três usinas da Cemig, analistas do setor elétrico são praticamente unânimes ao afirmar que a geradora Cesp e a transmissora Cteep devem rejeitar a renovação antecipada e condicionada de suas concessões.

"Obviamente, se as usinas não renovarem, aquela meta fixada pela presidente da República certamente vai ficar comprometida", disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro.

A fonte do governo ouvida pela Reuters se recusou a falar sobre o impacto na redução da tarifa de energia ao consumidor se outras empresas decidirem não renovar concessões. Segundo essa fonte, as autoridades acreditam que a maioria das companhias vai optar por manter os ativos por mais algumas décadas.

A concessionária que não aceitar a renovação antecipada continua com o empreendimento até o vencimento dos contratos atuais, entre 2015 e 2017, cobrando um preço maior pela geração e transmisssão da energia --daí a dificuldade de se diminuir a conta de luz na proporção pretendida pelo governo já no início de 2013.

A Cesp, controlada pelo governo de São Paulo, informou que vai contestar as novas tarifas e a indenização oferecida pela União pelo investimento não amortizado em suas usinas no processo de renovação antecipada das concessões.

Se a Cesp não renovar as concessões das usinas de Ilha Solteira, Três Irmãos e Jupiá, poderá subtrair uma potência total de quase 5,8 mil megawatts (MW) do portfólio de ativos de geração que é alvo da medida provisória 579, que trata do assunto e está no Congresso.   Continuação...