Com fama de intempestivo, Barbosa assume comando do STF

quinta-feira, 22 de novembro de 2012 16:22 BRST
 

Por Ana Flor

BRASÍLIA, 22 Nov (Reuters) - A cada novo réu condenado pelo relator Joaquim Barbosa da ação penal do chamado mensalão crescia a popularidade do ministro, que assume nesta quinta-feira a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) por dois anos.

Cumprimentado nas ruas pela rigidez com que vem condenando políticos, ex-ocupantes de cargos públicos e empresários pelo envolvimento em um esquema de compra de apoio político ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, Barbosa, 57 anos, é comparado ao super-herói Batman, pela capa preta dos ministros do STF, ou ao Super-Homem. Perguntado sobre a súbita fama de justiceiro, ele ri.

"Não tem nada disso", disse ele à Reuters, ao deixar mais uma sessão do mensalão.

Antes da redenção da popularidade trazida pelo mensalão, o ministro indicado por Lula em 2003 para o STF era criticado por seu gênio forte e pelas reações intempestivas demais para a Corte, que lhe renderam discussões públicas com colegas, e voltaram a se repetir durante o julgamento.

Ficaram famosas as discussões com Gilmar Mendes, acusado pelo colega de "estar destruindo a credibilidade da Justiça Brasileira", e com Cezar Peluso, a quem Barbosa chamou de "desleal", "caipira" e "tirano".

Pela fama de destemperado, que pessoas próximas atribuem ao preconceito da imprensa e até de seus pares, Barbosa desconfia e critica abertamente alguns jornais. Chegou a dizer que havia o risco de um movimento para não elegê-lo presidente da Corte --ele assume por ser o mais antigo membro que ainda não ocupou o posto.

"Quando, na história deste país, um membro do Supremo veio a público colocar em xeque a capacidade de um colega de presidir a Corte?", pergunta uma pessoa próxima de Barbosa, referindo-se às recentes críticas públicas do ministro Marco Aurélio, que afirmou estar preocupado com a presidência de um colega que age como "metal entre os cristais".

"A presidência traz serenidade", disse à Reuters outro colega da Corte, apostando que Barbosa irá arrefecer seu lado intempestivo no comando do STF.   Continuação...