3 de Dezembro de 2012 / às 12:17 / 5 anos atrás

Vale anuncia investimento 24% menor para 2013

Vista geral da mina de Ferro Carajás operada pela companhia Vale, no Pará. A mineradora anunciou investimentos de 16,3 bilhões de dólares para 2013, um freio em relação ao plano deste ano, que previa originalmente aportes da ordem de 21 bilhões de dólares, e que acabou revisado para 17,5 bilhões. 29/05/2012Lunae Parracho

Por Sabrina Lorenzi e Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 3 Dez (Reuters) - A Vale previu nesta segunda-feira investimentos de 16,3 bilhões de dólares para 2013, uma queda de 24 por cento na comparação com o plano anunciado para 2012, com a mineradora adotando cautela num momento em que vê perspectivas de uma demanda apenas "moderada" por minério e metais.

Ao final de 2011, a maior produtora de minério de ferro do mundo havia anunciado investimentos de 21,4 bilhões de dólares para 2012. Nesta segunda-feira, entretanto, a companhia informou que o total investido neste ano ficará bem abaixo do previsto inicialmente, somando 17,5 bilhões de dólares.

A empresa reduziu investimentos e adiou projetos em meio à queda no preço do seu principal produto e com perspectivas de um crescimento mais lento na demanda por aço na China.

"As perspectivas de uma expansão moderada da demanda global por minérios e metais no médio prazo requerem rígida disciplina na alocação de capital e maior foco em maximizar eficiência e minimizar custos", disse a mineradora em comunicado.

Do total dos investimentos, 7,65 bilhões de dólares --quase 47 por cento-- serão destinados à área de minerais ferrosos, o carro-chefe da companhia. Outros 3,78 bilhões de dólares serão investidos em metais básicos, enquanto 1,3 bilhão de dólares e 520 milhões de dólares irão, respectivamente, apoiar negócios de fertilizantes e siderurgia.

O plano anunciado para 2013 indica que a mineradora reduzirá investimentos pelo segundo ano seguido. Em 2011, a companhia investiu 18 bilhões de dólares.

"Mais do que nunca, estamos fortemente comprometidos em investir somente em ativos de classe mundial, capazes de criar valor ao longo dos ciclos e que possuam vida longa, baixo custo, possibilidades de expansão e produção de alta qualidade", afirmou o presidente da Vale, Murilo Ferreira, em nota.

A empresa projeta para 2013 produzir 306 milhões de toneladas de minério de ferro, uma pequena redução em relação ao volume projetado para 2012, de 312 milhões de toneladas.

As ações da Vale operavam em queda de 0,35 por cento, às 13h07, enquanto o Ibovespa tinha alta de 1,1 por cento.

MAIS PROJETOS ADIADOS

A empresa excluiu da sua lista de principais projetos aprovados o desenvolvimento de uma mina subterrânea de cobre na Zâmbia, chamado de Konkola Norte e rebatizado de Lubambe, de acordo com a comparação feita pela Reuters com a última lista divulgada pela empresa, referente ao terceiro trimestre.

A construção da pelotizadora Samarco IV, no Espírito Santo, também foi retirada do programa anunciado pela Vale. A usina previa investimentos totais de 1,7 bilhões de dólares e estava prevista para entrar em operação no primeiro semestre de 2014.

"Nossa prioridade mudou do crescimento marginal de volume para volumes com eficiência de capital, uma mudança que impacta profundamente a forma de gerir capital", disse a companhia.

Do total de dispêndios, 10,1 bilhões de dólares irão para execução de projetos, 5,1 bilhões de dólares irão para a sustentação de operações existentes e 1,1 bilhão de dólares ficarão com a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A Vale já vem enxugando a carteira de projetos nos últimos meses e o investimento em 2012 ficará cerca de 18 por cento menor do que planejado inicialmente.

A empresa já havia recuado de projetos complicados como Simandou, de minério de ferro na Guiné, e Apolo, que tem sua implementação, em região de aquíferos em Minas Gerais, questionada por ambientalistas.

Também foram paralisados a construção da siderúrgica do Pará (Alpa), e Kronau, um projeto de potássio no Canadá.

Paralelamente, a empresa realiza desinvestimentos, com a venda de ativos de petróleo e de logística, entre outros negócios que fogem do principal foco da companhia.

Entre os projetos prioritários, Serra Sul, em Carajás, no Pará, demandará investimentos de 8 bilhões de dólares para produzir 90 milhões de toneladas anuais. Com desembolsos de 658 milhões de dólares previstos para 2013, O projeto deve entrar em operação no segundo semestre de 2016.

Uma das cerca de 100 licenças ambientais recebidas pela Vale neste ano foi para Serra Sul, um licenciamento decisivo para a companhia tocar o seu maior projeto. Após a emissão da licença prévia, a Vale aguarda a licença de instalação.

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