Cardozo e PF dizem que não havia motivo para grampear Rosemary

terça-feira, 4 de dezembro de 2012 16:45 BRST
 

BRASÍLIA, 4 Dez (Reuters) - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Troncon, disseram nesta terça-feira que não havia motivos para pedir a quebra do sigilo telefônico da ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, no âmbito da operação Porto Seguro.

Cardozo e Troncon foram questionados por parlamentares da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, que indagaram se Rosemary não foi grampeada pela PF por conta de suas relações próximas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Por que a senhora que ocupava esse cargo na Presidência da República não teve sua comunicação telefônica interceptada? Porque não havia justa causa. Porque não havia motivação possível para que a autoridade policial o apresentasse", disse Troncon.

Cardozo disse que Rosemary não foi grampeada porque ela não estaria cometendo algum ato ilícito que só pudesse ser comprovado por meio de uma conversa telefônica.

"Não houve a quebra de todos os investigados, houve quebra daqueles que as atividades estavam em curso", disse o ministro afirmando que foi essa explicação que recebeu da PF.

Ele ainda tentou minimizar o alcance do caso na Presidência da República.

"Essas pessoas que são utilizadas nas informações (pedidas pela quadrilha) não integram a cúpula (da organização), não posso afirmar que a acusação chegou à conclusão que há uma quadrilha no seio da Presidência da República, não é o resultado da investigação. Claro que no discurso político, é natural que as versões sejam colocadas", disse Cardozo em resposta aos questionamentos dos parlamentares.

O ministro, porém, disse que não estava agindo em defesa de Rosemary e que ela "cometeu ilícitos graves".

"(Ela é indiciada por) tráfico de influência..., falsidade ideológica e corrupção ativa. Mas ela não foi indiciada por formação de quadrilha pela Polícia Federal... Isso não a abona em nada", disse o ministro.   Continuação...

 
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fala ao Congresso para explicar recentes operações policiais em Brasília. 4/12/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino