December 4, 2012 / 10:03 PM / 5 years ago

Brasil convoca embaixador de Israel para protestar contra assentamentos

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BRASÍLIA, 4 Dez (Reuters) - O Brasil convocou nesta terça-feira o embaixador de Israel em Brasília para protestar contra o anúncio israelense de construir três mil novas casas em assentamentos na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, plano que provocou ampla condenação internacional.

Israel fez o anúncio na sexta-feira em resposta à votação da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que elevou o status palestino no organismo mundial de "entidade observadora" para "Estado não-membro observador".

O embaixador israelense, Rafael Eldad, foi recebido pelo subsecretário-geral para África e Oriente Médio do Ministério de Relações Exteriores brasileiro, Paulo Cordeiro, numa conversa que foi classificada como "cordial" pelo Itamaraty.

"O Brasil expressou sua posição contrária aos assentamentos. Nós consideramos que seja uma proposta contrária ao processo de paz. Ela (proposta) prejudica o processo de paz", informou à Reuters a assessoria de imprensa do Itamaraty por telefone.

A conversa durou cerca de uma hora e Eldad reforçou a oposição israelense à votação na ONU, que "não contribui" para os esforços de paz na região, disse o Itamaraty.

Palestinos reivindicam a formação de um Estado independente nas áreas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, com a parte leste de Jerusalém como capital. Israel considera Jerusalém sua capital indivisível.

O Brasil classifica as áreas como de domínio palestino e considera os assentamentos como "obstáculo" para um acordo na região. O país votou a favor da elevação do status palestino na ONU na semana passada.

O anúncio do plano israelense foi criticado por países europeus e pelos Estados Unidos, tradicional aliado do Estado judeu e que consideraram a medida contraproducente para a retomada das negociações diretas de paz. Washington pediu que Israel reconsiderasse o plano.

Os Estados Unidos foram um dos nove países a terem votado contra a resolução palestina na Assembleia Geral da ONU e criticaram a aprovação.

Grã-Bretanha, França, Espanha, Suécia e Dinamarca, entre outros, convocaram os embaixadores israelenses nas suas respectivas capitais para transmitir mensagens semelhantes de protesto.

Israel rejeitou na segunda-feira as críticas e uma autoridade do gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que o país "continuará erguendo-se por seus interesses vitais, mesmo diante da pressão internacional, e não haverá mudança na decisão tomada".

Cerca de 500 mil israelenses vivem entre 2,5 milhões de palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Reportagem de Hugo Bachega

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