No Senado, Adams diz que errou ao confiar em ex-assessor

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 20:18 BRST
 

BRASÍLIA, 5 Dez (Reuters) - O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, confirmou nesta quarta-feira que ao menos 40 atos do ex-advogado adjunto da União indiciado pela operação Porto Seguro da Polícia Federal José Weber de Holanda Alves serão alvo de revisão pelo órgão e disse que errou ao confiar no ex-assessor.

Segundo investigações da operação da PF, Weber integrava um esquema criminoso que operava vendendo pareceres ilegais a empresários que desejavam obter vantagens do governo. Ele foi exonerado do cargo, e a AGU abriu sindicância para analisar sua atuação enquanto esteve no governo.

O inquérito da operação Porto Seguro, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, será encerrado nos próximos 20 dias. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em órgãos do governo federal e no escritório da Presidência da República em São Paulo no dia 23 do mês passado.

O esquema seria comandado pelos diretores da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira e da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) Rubens Vieira e por Marcelo Vieira, todos irmãos. Os dois primeiros foram afastados dos seus cargos e são alvo de sindicância das agências.

"Tenho a tristeza do erro da confiança, mas isso é da vida... Nós erramos porque confiamos", disse Adams em audiência pública no Senado, a qual foi convidado para explicar a atuação do ex-assessor.

"O Weber tinha função de encaminhar demandas que a AGU recebia dos outros órgãos. Essa era a função específica dele", descreveu o ministro.

"Weber não tinha poder de decisão, a manifestação jurídica dele não tinha valor, só se fosse aprovado pelo consultor-geral da União ou advogado-geral da União", disse o ministro.

Mesmo assim, dos 4 mil atos da AGU em análise na operação pente fino anunciada pelo governo na semana passada, 942 passaram pelas mãos de Weber e em 40 deles ele teve atuação direta, o que obrigou a AGU a revê-los.

Apesar de ter sido pouco pressionado pelos parlamentares de oposição, a presença do ministro no Congresso mobilizou a área política do governo, que trabalhou para criar um clima de cordialidade na audiência pública.   Continuação...