7 de Dezembro de 2012 / às 21:18 / 5 anos atrás

Dólar sobe 0,58% ante real e BC diz que pode intervir

Por Danielle Fonseca e Natalia Cacioli

SÃO PAULO, 7 Dez (Reuters) - O dólar fechou em alta ante o real nesta sexta-feira após quatro sessões consecutivas de queda, mas deve abrir em queda na segunda-feira depois que o Banco Central avisou que pode intervir no mercado.

A moeda norte-americana subiu 0,58 por cento para 2,0911 reais na venda, num movimento de correção técnica. Segundo dados da BM&F, o volume negociado foi de 1,787 bilhão de dólares.

Logo após o fechamento do mercado, no entanto, o BC iniciou uma pesquisa nas mesas de câmbio para avaliar a demanda por dólares no mercado.

O BC avalia a possibilidade de realizar leilões de swap cambial tradicional -- que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro -- e leilões de dólar à vista com compromisso de recompra, afirmou a assessoria de imprensa do banco.

Embora o mercado de câmbio à vista estivesse fechado quando o BC iniciou a pesquisa de demanda, as cotações dos contratos futuros de dólar recuaram com força na BM&FBovespa.

O contrato para janeiro de 2013, o mais negociado na bolsa, despencou de 2,098 reais para 2,082 reais.

O anúncio do BC sugere que o governo deve continuar a intervir no mercado para evitar uma alta expressiva do dólar nos próximos dias.

Apesar da alta desta sexta-feira, a moeda norte-americana registrou desvalorização de 1,86 por cento nesta semana após as sucessivas ações do governo, que incluíram intervenções do BC, além de medidas para baratear empréstimos de empresas no exterior e para facilitar o financiamento à exportação.

As ações desta semana vieram em aparente contradição com recentes declarações de autoridades brasileiras --incluindo a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega-- que sugeriram que o governo favoreceria um real mais desvalorizado para impulsionar as exportações.

Ao final da semana, investidores se perguntavam qual seria a estratégia do governo para o câmbio e qual seria o novo patamar de equilíbrio do dólar. Alguns analistas acreditam que a moeda deve oscilar entre 2,07 e 2,10 reais.

“A confiança do investidor está abalada, ele está se perguntando: ‘qual é a intenção do governo?'”, afirmou o superintendente de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira.

Na avaliação de alguns analistas, preocupações com o impacto do dólar mais alto na inflação e no endividamento externo das empresas brasileiras podem ter levado o governo a rever sua estratégia em relação ao câmbio.

“O BC mostrou que ficou preocupado com a velocidade com que o dólar subiu”, afirmou o vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini.

Ele lembrou que, além de a alta do dólar ter possível impacto na inflação, a volatilidade maior no câmbio reduz a previsibilidade do cenário econômico para investidores, atrapalhando a execução de algumas operações e projetos de investimentos.

Na sua avaliação, a moeda pode respeitar o teto informal de 2,10 reais e passar a oscilar mais entre 2,07 e 2,10 reais. Apesar da queda desta semana, o dólar não voltou a cair abaixo do nível de 2,07 reais.

Reportagem de Danielle Fonseca

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