Brasil proíbe betabloqueadores em exportações de carne para Rússia

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 21:12 BRST
 

SÃO PAULO, 10 Dez (Reuters) - O Ministério da Agricultura informou nesta segunda-feira que proibiu temporariamente um aditivo alimentar chamado ractopamina e outros betabloqueadores, que promovem o crescimento muscular em animais como porcos e gados, porque teme ser vetado por seu maior importador de carne, a Rússia.

A proibição estará em vigor até que o Brasil possa estabelecer um sistema de segregação para carnes de boi e de porco produzidas para o mercado externo, onde a ractopamina é proibida na carne, disse Carlos Mota, representante do Ministério da Agricultura.

A ractopamina está em uma classe de drogas conhecidas como betainibidores ou bloqueadores, que neutralizam os efeitos da adrenalina no sistema nervoso e diminuem os batimentos cardíacos. Nos animais, ela promove o ganho muscular.

Mota disse que o ministério baniu a ractopamina e outras drogas betainibidoras desde 12 de novembro, depois que a Rússia disse que iria exigir que as futuras importações de carne estivessem livres da droga e que alguns Estados exportadores teriam que certificar sua carne.

A Rússia disse na segunda-feira que iria intensificar os testes na carne importada dos Estados Unidos e do Canadá em busca de traços do aditivo proibido.

A União Europeia e a China já têm certas restrições sobre o uso de drogas na carne.

"É uma questão de tempo", disse Alexandre Mendonça de Barros, diretor da empresa de consultoria MB Agro. "O Brasil não tem nenhum laboratório a essa altura preparado para lidar com esse tipo de teste e certificação".

Ainda não está claro se o Brasil estava usando ractopamina em base comercial, disse Jerry O' Callaghan, diretor de relações com investidores da JBS SA, a maior exportadora de carne do mundo.

"Segundo entendemos, só foi usada experimentalmente com restrições de quarentena neste ano. A impressão, pelo que o governo vem dizendo, é que o produto não será usado em momento algum, até que um sistema de separação confiável esteja em vigor que satisfaça os países que compram carne brasileira", disse O'Callaghan.   Continuação...