ENTREVISTA-Brasil quer evitar efeito dominó de embargos à carne
Por Fabíola Gomes
SÃO PAULO, 13 Dez (Reuters) - A indústria frigorífica do Brasil afirmou que não existe justificativa técnica para nenhum país suspender as importações por conta da confirmação de um animal morto em 2010 com o agente causador da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), disse o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) nesta quinta-feira.
A entidade privada do principal exportador global de carne bovina do mundo ainda trabalha junto aos clientes para evitar que embargos como o anunciado pelo Japão se repitam.
"Se isso acontecer (embargo), o Brasil tem todo o direito de contestar a decisão na OMC (Organização Mundial do Comércio)", afirmou Fernando Sampaio, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), em entrevista à Reuters.
O caso "atípico" do EEB, conhecido como mal da vaca louca, foi descoberto em animal que morreu em 2010, no Paraná. O Ministério da Agricultura informou na última sexta-feira que a fêmea morta possuía o agente causador da doença, uma proteína chamada príon, que pode ocorrer espontaneamente em bovinos mais velhos e que poderia ou não causar a doença.
Para o ministério, o Brasil não tem a doença da vaca louca.
Sampaio ressaltou que, no mesmo dia, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reafirmou a classificação brasileira como risco insignificante para a doença.
Segundo ele, até o momento apenas o Japão, que é um mercado pequeno para o Brasil, suspendeu as compras de carne bovina brasileira, por medida do Ministério da Saúde japonês.
"Outros países não se manifestaram oficialmente", disse Sampaio, referindo-se a especulações sobre possíveis suspensões por parte do Irã e o Egito. Continuação...

