ANÁLISE-Mercado vê motivação comercial em embargos à carne do Brasil

terça-feira, 18 de dezembro de 2012 17:58 BRST
 

Por Roberto Samora e Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 18 Dez (Reuters) - O Brasil, maior exportador global de carne bovina, é vítima atualmente de uma campanha de importadores com motivações mais comerciais do que técnicas, afirmam especialistas e fontes da indústria.

Alguns compradores da carne brasileira estão usando um caso não-clássico de mal da vaca louca, registrado em 2010 e que não oferece riscos à saúde humana ou ao rebanho, como argumento para renegociar preços num momento em que o mercado global vive uma situação de aperto e alta nas cotações, dizem analistas.

Desde que o governo brasileiro anunciou o caso atípico EEB (Encefalopatia Espongiforme Bovina, como é conhecida formalmente a doença), seis importadores de carne bovina brasileira anunciaram embargos totais ou parciais ao produto do país, gerando preocupações sobre os impactos para as vendas externas do país.

Apenas um embargo, o da Arábia Saudita, pode ter algum impacto mais relevante --já que o do Egito (outro importante importador) é parcial, restringindo-se ao Paraná. Mas ainda assim essas barreiras não deverão se alongar por muito tempo, uma vez que não têm embasamento técnico, dizem os especialistas.

"Acredito que isso acaba tendo um viés que parece ser mais comercial, é um mecanismo de você negociar com o seu fornecedor, muito mais do que um problema de ordem sanitária", disse Nadia Alcantara, gerente técnica da Informa Economics FNP.

Segundo a especialista, se houvesse algum risco, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) não teria mantido o status sanitário do Brasil em risco insignificante para EEB.

"Se trouxesse algum risco para a saúde humana, com certeza a OIE não manteria o risco do Brasil", completou Nadia.

"Considerando que um dos maiores fornecedores de carne para a Arábia Saudita e Egito é a Índia, que quase não tem qualquer precaução ou regulação sanitária, eu entendo que a motivação é comercial", o analista da Safras & Mercado Paulo Molinari.   Continuação...