15 de Janeiro de 2013 / às 11:04 / em 5 anos

Vendas no varejo brasileiro desaceleram e sobem 0,3% em novembro--IBGE

Por Rodrigo Viga Gaier e Tiago Pariz

Vendedora mostra roupas em loja no Rio de Janeiro, em novembro de 2012. As vendas no comércio varejista brasileiro perderam fôlego em novembro, ao avançarem 0,3 por cento ante outubro. 30/11/2012 REUTERS/Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA, 15 Jan (Reuters) - O varejo brasileiro perdeu fôlego em novembro, evidenciando a dificuldade da recuperação da atividade econômica no final de 2012 e antecipando a continuidade dos problemas da indústria.

As vendas no comércio varejista cresceram 0,3 por cento sobre outubro, sexto mês seguido de expansão das vendas, segundo informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número, no entanto, mostrou desaceleração, uma vez que em outubro a alta mensal havia sido de 0,8 por cento. “Foram seis meses de crescimento, mas não dá para falar em um padrão de expansão”, afirmou a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

Sobre um ano antes, as vendas cresceram 8,4 por cento em novembro, também mostrando menos tração do que no mês anterior, quando a expansão ficou em 9,2 por cento, segundo dado revisado agora. Segundo o IBGE, o varejo brasileiro deve fechar 2012 com expansão perto de 8,5 por cento.

“A indústria vai mal, mas o governo tem se voltado para o comércio com isenção de IPI para móveis, eletrodomésticos e veículos. O comércio vem puxando o desempenho da economia em um ano que a indústria vai fechar até negativa”, destacou Aleciana.

Os resultados ficaram em linha ao esperado pelo mercado. Analistas ouvidos pela Reuters previam que haveria expansão mensal de 0,2 por cento e, sobre o mesmo mês do ano anterior, de 8,3 por cento.

O estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, afirmou que apesar da desaceleração, continua o descompasso entre a demanda doméstica e a oferta, mostrando que o mercado de trabalho aquecido sustenta o vigor do consumo das famílias brasileiras.

“A demanda doméstica continua crescendo a taxas robustas, mais de 8 por cento anual, enquanto a produção industrial apresenta taxas negativas. A recuperação econômica está se dando em uma base frágil”, afirmou.

Em novembro, a produção industrial caiu 0,6 por cento sobre outubro e empurrou a recuperação do setor para este ano.

ATIVIDADE

Segundo o IBGE, cinco das oito atividades que compõem o índice registraram crescimento sobre o mês anterior, com destaque para Outros artigos de uso pessoal e doméstico (alta de 4,2 por cento, ante 3,9 por cento vista em outubro) e Tecidos, vestuário e calçados (2,1 por cento, frente queda de 2,1 por cento).

O grupo Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou alta mensal de 0,6 por cento em novembro, ante 0,4 por cento em outubro.

Na ponta oposta, o destaque ficou para o grupo Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com queda de 11,4 por cento, ante alta de 18,8 por cento em outubro.

Na comparação anual, ainda segundo o IBGE, sete das oito atividades registraram expansão, com destaque para Outros artigos de uso pessoal e doméstico (18,2 por cento).

Para os analistas, os dados do comércio corroboram as avaliações de que, no último trimestre de 2012, a economia pode ter crescido menos do que se esperava.

“Esses números (varejo) confirmam que o PIB do último trimestre foi bem modesto e crescimento em 2012 foi abaixo de 1 por cento”, afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, para quem o consenso sobre a manutenção da Selic em 7,25 por cento na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta semana foi ainda mais reforçado.

O mercado vê a taxa básica de juros neste patamar até o fim de 2013.

VAREJO AMPLIADO

Em relação às vendas do comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção --o IBGE informou que houve queda de 1,2 por cento por cento em novembro ante outubro, depois de avançar 5 por cento no período anterior. Na comparação anual, a alta em novembro ficou em 7,2 por cento.

Neste caso, o destaque foi o segmento de Veículos e motos, partes e peças, com queda mensal de 5 por cento.

“Com a corrida para pegar o IPI mais baixo em outubro, em novembro houve essa queda, Mas como o governo prorrogou o incentivo e, em dezembro, as vendas devem voltar quase ao normal”, avaliou a economista do IBGE.

As vendas de carros recuaram 8,7 por cento em novembro, segundo dados da Anfavea, após consumidores adiantaram compras para outubro, de olho no fim das desonerações.

Em meio a uma persistente desaceleração no ritmo de crescimento de vendas, as principais varejistas brasileiras devem manter a aposta em planos de expansão orgânica agressivos para 2013, apesar de algumas não terem cumprido as metas traçadas no último ano.

“Vimos movimentos de antecipação de compras e, em dezembro, é provável que o desempenho de varejo seja impulsionado pelo décimo terceiro, renda extra e compras de Natal em geral”, acrescentou Aleciana, do IBGE.

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes, no Rio de Janeiro; e Brad Haynes, em São Paulo

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