EXCLUSIVO-Desmatamento na Amazônia dá sinais de voltar a crescer

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 18:28 BRST
 

Por Paulo Prada

RIO DE JANEIRO, 24 Jan (Reuters) - Após anos de avanços do Brasil no combate ao desmatamento da Amazônia, o problema parece estar voltando a se agravar, refletindo a expansão de fazendeiros, madeireiros, garimpeiros e construtores para áreas antes inexploradas, segundo dados compilados pelo governo e por pesquisadores independentes.

O Imazon, instituição brasileira que monitora o desmatamento por meio de imagens de satélite, disse em um recente relatório que a destruição da maior floresta tropical do mundo subiu em dezembro pelo quarto mês consecutivo.

Nos últimos cinco meses de 2012, o Imazon detectou a eliminação de 1.288 quilômetros quadrados de matas, mais do que o dobro da área devastada no mesmo período de 2011.

Dados preliminares da agência espacial brasileira, que faz suas próprias estimativas mensais, também sugerem um aumento no desmatamento entre agosto e outubro, último mês com dados divulgados.

Pesquisadores e autoridades dizem que são necessários mais dados para confirmar que está em curso uma reversão completa da tendência de redução verificada nos últimos anos. Entre outras variáveis, nuvens na atual época chuvosa complicam a obtenção de imagens.

Dados adicionais também podem esclarecer se novos clarões na cobertura florestal são resultado de queimadas e derrubadas deliberadas, ou uma degradação natural.

Se o desmatamento continuar crescendo, será a confirmação dos temores manifestados por cientistas e ecologistas de que as mudanças nas políticas ambientais brasileiras, a contínua penetração de forças econômicas na floresta e os projetos governamentais de infraestrutura estão revertendo os avanços na proteção a uma região que concentra cerca de 12 por cento da água doce do planeta, que é uma abundante fonte de oxigênio e onde vive um número incontável de espécies vegetais e animais.

"O contexto está maduro para que a destruição se intensifique", disse o diretor-executivo da conhecida ONG Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia, Paulo Moutinho. "Está claro que os níveis podem facilmente continuar a crescer."   Continuação...