Autoridades trocam informações contraditórias sobre boate no RS
Por Ana Flor
SANTA MARIA, 30 Jan (Reuters) - A série de irregularidades reveladas nas investigações feitas até agora sobre a tragédia que deixou 235 mortos numa boate em Santa Maria fez com que viessem à tona informações contraditórias por parte das autoridades que deviam chancelar o funcionamento da casa noturna, levando o Ministério Público do Estado a abrir inquérito para apurar responsabilidades.
A investigação é o primeiro passo para apurar a responsabilidade de órgãos públicos, que poderiam ter falhado na fiscalização da boate, segundo o promotor de Justiça César Carlan. A intenção do MP é apurar a responsabilidade cível, independentemente da criminal.
"A instauração do inquérito civil nos permite requisitar documentos e produzir provas para apurar esse tipo de responsabilidade", disse Carlan.
A Polícia Civil do Estado centra as investigações na confirmação de que os músicos da banda que tocava na madrugada de domingo, quando o incêndio na boate Kiss se iniciou, soltaram um artefato pirotécnico -um sinalizador ou um sputinik- de uso externo dentro do local, e nas irregularidades como extintores vencidos, obstáculos na única porta de saída e superlotação.
Na tarde desta quarta-feira, a polícia realizou uma reconstituição do acidente. Ficou comprovado que houve falhas nos extintores de incêndio e que a fumaça se espalhou em poucos minutos. Na quinta, a perícia técnica voltará ao local, que será depois lacrado para o caso de novas averiguações.
A polícia civil afirmou que as investigações podem levar até seis meses. Um documento será divulgado em 30 dias, mas poderá não ser conclusivo.
Dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira e dois proprietários da boate tiveram prisão temporária decretada e são mantidos sob custódia da polícia para questionamentos sobre o episódio que matou em sua maioria jovens universitários, asfixiados pela fumaça do incêndio, segundo a polícia.
Um dos donos da boate, o empresário Elissandro Spohr, que foi hospitalizado após o incêndio, chegou a tentar se matar na terça-feira, segundo a Polícia Civil. Ele está com a prisão temporária decretada até sexta-feira. O pelotão de operações especiais da Brigada Militar passou a fazer a escolta do empresário, que teme represálias da população. Continuação...

