Fumaça tóxica de boate no RS pode fazer vítimas até uma semana depois de tragédia

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 17:41 BRST
 

Por Ana Flor

SANTA MARIA, 31 Jan (Reuters) - Em meio à correria no último domingo na boate Kiss, em Santa Maria, logo que o fogo começou, a jovem Ingrid Goldani, 21 anos, teve uma ideia inusitada que acabou por garantir sua saída com vida do local. Barwoman, ela colocou o rosto dentro do freezer, na tentativa de não respirar a fumaça tóxica que se espalhou rapidamente pelo ambiente. Quando o frio apertou, foi em direção à saída.

Horas depois, já em casa, Ingrid começou a passar mal. Foi levada pela mãe, Eliete, ao hospital e em seguida internada e transferida para Porto Alegre, distante 300 quilômetros. Era o primeiro caso de pneumonite tóxica, que segundo médicos, pode levar até uma semana para se manifestar.

Outros casos como o de Ingrid se seguiram e fizeram as equipes de saúde emitirem um alerta para que todas as pessoas que estiveram no local da tragédia procurassem serviços médicos. O número de pessoas internadas chegou a crescer de terça para quarta-feira, por causa da pneumonite.

"É preciso estar atento por uma semana", disse à Reuters o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que esteve em Santa Maria e Porto Alegre, visitando vítimas hospitalizadas, até quarta.

A tragédia já deixou 235 mortos, número que ainda pode aumentar. Das 127 pessoas hospitalizadas --dado atualizado nesta quinta pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha--, 71 estão em estado grave e respirando com a ajuda de aparelhos.

O médico Jaime Felipe Federbusch, presidente da Regional Sul da Sociedade Brasileira de Queimados, foi chamado no domingo para ajudar no socorro no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Segundo ele, o mais grave não eram as queimaduras da pele, mas a intoxicação dos pacientes com cianeto, liberado em segundos assim que o material de isolamento acústico da boate entrou em combustão.

"Aquilo (a boate) virou uma câmara de gás", diz Federbusch.

Um dos exames realizados nos pacientes, segundo ele, mostrava as paredes das vias respiratórias cobertas e entupidas de uma espessa camada preta.   Continuação...