Quatro décadas no Congresso moldaram novo presidente da Câmara

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 14:46 BRST
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 4 Fev (Reuters) - O novo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), é, para o bem ou para o mal, um produto do Parlamento. Moldado por 42 anos de altos e baixos, tem ao menos uma ambição no comando da Casa: tornar o Legislativo menos submisso aos demais Poderes.

Essa larga experiência é boa para o governo, que terá no comando da Câmara um aliado que sabe tomar o pulso da Casa e identificar qual a melhor estratégia a ser adotada nas votações. Mas essa mesma experiência e o desejo de tornar o Legislativo um Poder menos acessório são fontes de preocupação para os articuladores políticos do Palácio do Planalto.

Auxiliares da presidente Dilma Rousseff ainda não deixaram completamente de lado a desconfiança em Alves, desde que, como líder da bancada do PMDB, ele enfrentou claramente as posições públicas dela na votação do Código Florestal em 2011, antes de a petista completar seis meses no cargo.

Até por conhecer a Câmara melhor do que os articuladores políticos do Palácio do Planalto, o temor com as surpresas que o aliado pode impor ao governo será constante.

Mas para quem conhece Alves há anos e partilha negociações políticas com o peemedebista, como o ex-líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), essa desconfiança de membros do governo é sem fundamento.

"O Henrique vai ajudar muito mais o governo do que o Marco Maia (petista que presidiu a Casa até esta segunda-feira)", disse Vaccarezza à Reuters.

Derrotado por Maia na disputa interna do PT pelo mesmo cargo há dois anos, Vaccarezza argumenta que Alves tem mais experiência e isso será importante para Dilma.

DESDE MUITO JOVEM   Continuação...