Crea diz que "série de erros" causou incêndio no RS, número de internados diminui

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 20:36 BRST
 

SÃO PAULO, 4 Fev (Reuters) - A tragédia que matou 237 pessoas numa boate em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, foi causada por uma "série de erros", afirmou um relatório preliminar do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do Rio Grande do Sul apresentado nesta segunda-feira.

Técnicos da entidade representativa visitaram a boate Kiss, local da tragédia, onde mais de 200 jovens morreram, a maioria de universitários e por asfixia.

Também nesta segunda-feira, a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul informou que o número de vítimas da tragédia internadas em hospitais do Estado caiu para 93 devido à alta de alguns pacientes. Dos internados, 29 ainda respiram com ajuda de aparelhos.

O incêndio começou, segundo a polícia, quando um integrante da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava na boate, acendeu um sinalizador. Uma faísca do artefato entrou em contato com o revestimento acústico que estava no teto da boate dando início às chamas e liberando um gás tóxico que asfixiou a maioria das pessoas.

"A análise das informações disponíveis até o momento aponta como causas fundamentais para a ocorrência do incêndio a combinação do uso de material de revestimento acústico inflamável, exposto na zona do palco, associada à realização do show com componentes pirotécnicos", disse o Crea em seu relatório.

De acordo com a análise da entidade de classe, outros fatores contribuíram para o desastre, o segundo maior provocado por um incêndio na história do país, como falhas nos extintores de incêndio, dificuldade para a saída das pessoas, falta de iluminação de emergência e de mecanismos para dissipar a fumaça.

"Para honrar a memória destas vítimas e suas famílias precisamos que o acidente sirva para que criemos uma legislação mais específica e unificada com regras claras", disse o presidente do Crea-RS, Luiz Alcides Capoano, de acordo com a página da entidade na Internet.

A polícia mantém em prisão temporária os dois proprietários da boate e dois integrantes da banda. Na sexta-feira, a Justiça gaúcha prorrogou por 30 dias a prisão dos quatro.

(Reportagem de Eduardo Simões)