6 de Fevereiro de 2013 / às 13:47 / 5 anos atrás

Indústria fecha 2012 com mais capacidade ociosa, diz CNI

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 6 Fev (Reuters) - A indústria fechou 2012 com maior ociosidade nas linhas de produção e com o primeiro recuo na média anual das horas trabalhadas em três anos, indicando que a recuperação mais robusta do setor ainda não veio e, em 2013, pode vir mais tarde do que se esperava.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quarta-feira que a utilização da capacidade instalada na indústria recuou para 80,9 por cento em dezembro, abaixo dos 81,4 por cento registrados em novembro.

Em dezembro de 2011, a utilização da capacidade instalada foi de 81,5 por cento, mas a melhora registrada em janeiro do ano passado, quando ela foi de 82,3 por cento, acabou sendo o número mais alto de 2012. A pior taxa aconteceu em junho, com 80,7 por cento.

Na média do ano, a utilização da capacidade instalada em 2012 foi 0,9 por cento menor do que em 2011.

“O ano não foi bem, com predomínio de resultados negativos. Durante o ano, houve indícios de recuperação, mas ela não foi nem na intensidade nem na frequência necessária para caracterizar uma nova tendência para a atividade industrial”, afirmou o gerente-executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

O mau desempenho na utilização da capacidade instalada também se refletiu nas horas trabalhadas, considerado um sinalizador do nível de atividade na indústria. O indicador teve variação positiva de 0,8 por cento em dezembro frente a novembro, mas no acumulado do ano registrou queda de 1,5 por cento sobre 2011.

O mesmo baque teve o emprego industrial. Em dezembro, houve estagnação nos postos de trabalho na comparação mensal e, no acumulado do ano, variação negativa de 0,2 por cento sobre 2011, também a primeira desde 2009.

Os indicadores da CNI corroboram as dificuldades da indústria brasileira em se recuperar. Segundo o IBGE, a produção caiu 2,7 por cento em 2012, a primeira em três anos.

Apesar da maior ociosidade, as indústrias tiveram alta no faturamento pelo segundo mês consecutivo, avançando 3,1 por cento em dezembro sobre novembro, de acordo com dado dessazonalizado. Mas no acumulado do ano, o faturamento real desacelerou a alta a 2,4 por cento sobre 2011, quando havia se expandido 5,2 por cento.

A fragilidade de 2012 contamina o ambiente de 2013. Como a ociosidade foi maior no ano passado, a indústria tem algum espaço para atender a um esperado crescimento da demanda neste ano apenas retomando linhas de produção ou plantas paradas.

“Se tem ociosidade, a indústria vai ficar atenta ao mercado, mas não vai fazer planos de expansão. Precisa de horizonte de confiança para depois elaborar o plano de investimento”, afirmou Castelo Branco.

AJUSTES

Apesar da lenta recuperação, a CNI classificou 2012 como um “ano de ajuste”, esperando um melhor desempenho neste ano. Mas a boa performance é vista com cautela e depende de fatores diversos.

A primeira condicionante é a aceleração da demanda e a segunda os efeitos das ações do governo. A CNI voltou a defender que medidas do governo que reduziram o custo da indústria, como a desoneração da folha de pagamento e a menor tarifa de energia elétrica, têm a capacidade de dar maior estímulo aos empresários elevarem a produção.

Mas há contrapesos, como a recente valorização do real, com o dólar sendo negociado abaixo de 2 reais recentemente, diminuindo a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

Por outro lado, deve contribuir para um melhor desempenho da indústria a redução nos estoques ocorrido no fim do ano passado, o que pode abrir espaço para maior produção para atender o ímpeto das famílias em consumirem mais.

A CNI indicou, na última Sondagem Industrial, que o setor finalizou o processo de ajustes de estoques. O indicador de nível de estoques situou-se em 48,4 pontos em dezembro, queda de 0,5 ponto na comparação com o mês anterior.

“Se a demanda aparecer com mais intensidade vai se transmitir para produção”, afirmou o gerente-executivo da CNI. Ele ponderou, no entanto, que a recente valorização do real frente ao dólar pode ter um impacto negativo no setor.

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