Emprego na indústria cai 1,4% em 2012, mas renda real sobe

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013 15:04 BRST
 

Por Camila Moreira e Tiago Pariz

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 8 Fev (Reuters) - O emprego na indústria brasileira fechou 2012 com o primeiro recuo em dois anos, em um cenário de queda na atividade e dificuldade na retomada da produção, mas a renda dos trabalhadores aumentou.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta sexta-feira que o número de trabalhadores na indústria caiu 1,4 por cento no ano passado, quando a produção industrial registrou queda de 2,7 por cento, apesar de medidas de estímulo do governo para fazer frente à crise internacional.

O emprego no setor havia registrado alta de 1 por cento em 2011 e de 3,4 por cento em 2010. Apesar do resultado ruim, o desempenho de 2012 ainda foi melhor que o de 2009, quando o emprego na indústria caiu 5 por cento.

Em dezembro, houve uma queda 0,2 por cento sobre novembro. Em relação a igual mês de 2011, o pessoal ocupado na indústria recuou 1,3 por cento, 15o resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação.

"Não se pode imaginar um mercado de trabalho diferente do que acontece com o ritmo de produção", disse à Reuters o economista do IBGE André Macedo.

O fato de o emprego ter caído menos do que a produção se deveu, principalmente, aos altos custos trabalhistas, que fizeram a indústria conter as demissões.

"Só não teve uma queda maior do pessoal ocupado por causa dos custos, então, teve um movimento amortecido no emprego", disse a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara.

Macedo do IBGE vai na mesma linha. "A magnitude da queda do emprego ser menor que a da produção tem a ver com os custos de demissões, de qualificar um novo profissional e outros fatores."   Continuação...

 
Operário conserta turbina na hidrelétrica de Furnas em São José da Barra, Minas Gerais. O emprego na indústria brasileira fechou 2012 com recuo de 1,4 por cento, interrompendo dois anos de altas, depois de cair 0,2 por cento em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). REUTERS/Paulo Whitaker