Mantega alerta que guerra cambial global pode piorar

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013 16:29 BRST
 

Por Alonso Soto e Luciana Otoni

BRASÍLIA, 8 Fev (Reuters) - A "guerra cambial" global pode ficar ainda pior se a Europa entrar no campo de batalha, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, conhecido por cunhar o termo.

Mantega afirmou à Reuters que países europeus devem se concentrar em reanimar suas economias com mais investimentos, em vez de tentar enfraquecer o euro para proteger empregos, como a França sugeriu antes da reunião na próxima semana do G20, grupo que congrega potências econômicas.

"Esse é um problema que vai persistir enquanto a economia mundial não deslanchar", disse Mantega em entrevista na noite de quinta-feira. "Na verdade, a solução está em resolver outros problemas, que é dar mais dinamismo para as economias, tirá-las da estagnação."

"Não dá para a União Europeia tentar sair da crise exportando para os Estados Unidos, para a Ásia e o Brasil", disse Mantega.

A França planeja levar suas preocupações sobre o euro para a reunião do G20 em Moscou, alertando que um euro mais forte pode afetar a lenta e dolorosa recuperação da Europa, e em último caso a do mundo.

"A discussão mais importante no G20, ao meu ver, é a volta dos estímulos", disse Mantega.

O euro fortaleceu mais de 8 por cento contra o dólar nos últimos seis meses, de acordo com dados da Thomson Reuters. Ele está sendo negociado perto do nível mais alto em 15 meses devido a uma melhora da confiança sobre a zona do euro.

Mantega afirmou ainda que os países da Europa devem observar o Brasil para impulsionar o investimento, lançando seus próprios programas de investimento.

Segundo ele, a melhora da economia global deve ajudar o Brasil a reconquistar as taxa de crescimento impressionantes que fez do país uma estrela entre os emergentes na última década.

(Reportagem adicional de Brian Winter)

 
Ministro das Finanças, Guido Mantega, gesticula durante entrevista concedida à Reuters em Brasília. A "guerra cambial" global pode ficar ainda pior se a Europa entrar no campo de batalha, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, conhecido por cunhar o termo. 07/02/2013 REUTERS/Ueslei Marcelino