ANÁLISE-Alta da inflação no Brasil destaca necessidade de reformas

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013 20:53 BRST
 

Por Silvio Cascione e Krista Hughes

SÃO PAULO/CIDADE DO MÉXICO, 8 Fev (Reuters) - A inflação brasileira provavelmente piorará antes de melhorar, apesar dos esforços do governo para derrubar o nível de preços com medidas extraordinárias, destacando a necessidade de reformas econômicas mais profundas na maior economia da América Latina.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu em janeiro no maior ritmo em quase oito anos, elevando a inflação anual a 6,15 por cento apesar do corte das tarifas de energia elétrica, promovido pelo governo, que, segundo economistas, reduziu o índice em 0,1 ponto percentual.

Embora boa parte do avanço se deva aos preços de alimentos, os dados também mostram um aumento preocupante da pressão de preços apesar do fraco crescimento econômico, o que distingue o Brasil de seus pares que estão desfrutando maior crescimento com inflação mais baixa.

Ao contrário do México, onde um novo governo conquistou apoio de partidos de oposição para promover importantes reformas estruturais, a agenda de reformas do Brasil parece estar parada. Alguns analistas questionam o interesse do governo em reformas que poderiam reduzir o poder do Estado, com autoridades brasileiras recorrendo em vez disso a medidas extraordinárias para impulsionar o crescimento e conter a inflação.

As medidas vão desde pedir às prefeituras que adiem o aumento das passagens de ônibus até a sinalização de corte de impostos dos produtos da cesta básica.

"É um enfoque de 'remendos' em vez de uma postura de reformas fundamentais", disse o economista do Capital Economics, Neil Shearing.

"Fundamentalmente, a economia enfrenta restrições no lado da oferta, de uma maneira que não ocorre no México, então as pressões inflacionárias no Brasil são muito maiores e continuará assim, particularmente se o governo continuar tentando impulsionar a economia com uma política fiscal frouxa."

O Banco Central, que cortou agressivamente os juros para a mínima histórica de 7,25 por cento no ano passado, queixou-se de que o crescimento lento deve-se em grande parte a restrições na oferta, o que foge de sua alçada, já que a política monetária lida com a demanda, não com a oferta.   Continuação...