ANÁLISE-Grandes déficits comerciais não ameaçam contas externas

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013 18:21 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 13 Fev (Reuters) - Grandes déficits na balança comercial afetarão as contas externas do país no primeiro trimestre, mas não abalam as expectativas de analistas de que as transações correntes sejam financiadas integralmente pelos investimentos produtivos ao longo do ano, ainda mais depois de o governo anunciar mudanças nas concessões públicas.

"A alteração nas regras das concessões cria melhores condições de atração de capital e isso para os investidores estrangeiros também", disse o economista chefe do Banco Espírito Santo (BES), Jankiel Santos.

Em janeiro, a balança comercial apresentou déficit recorde de 4 bilhões de dólares provocado pelo registro atrasado de gasolina comprada pela Petrobras no exterior ainda em 2012. O saldo negativo foi impactado também pelo fraco desempenho das exportações, que continuam sendo afetadas pelo baixo dinamismo do comércio internacional.

Como a contabilidade atrasada das importações de gasolina da Petrobras ocorrerá até março, o governo trabalha com a possibilidade de déficits comerciais também no segundo e terceiro meses do ano. No acumulado dos primeiros dez dias de fevereiro, o déficit era de 741 milhões de dólares.

No final do ano passado, antes dos dados da balança de janeiro, o Banco Central já previa um superávit comercial menor para este ano: 17 bilhões de dólares, ante os 19,4 bilhões de dólares de 2012. Previa também que as transações correntes teriam um rombo de 65 bilhões de dólares, que seria coberto por investimentos estrangeiros diretos na mesma proporção.

Mas se o déficit em transações correntes pode, eventualmente, ser reavaliado para cima em função dos fortes resultados negativos iniciais da balança comercial, o saldo final do investimento estrangeiro direto (IED) também deve aumentar em função das mudanças nas concessões.

O governo anunciou, no início de fevereiro, a ampliação do prazo da concessão de rodovias para 25 anos ante 20 anos.

E na semana passada o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse à Reuters que o governo garantirá aos investidores taxa de retorno real acima de 10 por cento para todas as concessões, e que se necessário alterará também as regras das concessões de portos, aeroportos e de ferrovias.   Continuação...