Portuários fazem acordo e desocupam navio invadido em Santos
Por Reese Ewing e Gustavo Bonato
SÃO PAULO, 19 Fev (Reuters) - Trabalhadores do porto de Santos, o maior do Brasil, fizeram um acordo com o terminal portuário Embraport e desocuparam o navio chinês invadido desde segunda-feira, informou a empresa em nota nesta terça-feira.
Cerca de 60 estivadores entraram no navio Zhen Hua 10 na manhã de segunda-feira, interrompendo o descarregamento de guindastes pesados fabricados na China e destinados a um terminal portuário privado, em protesto contra os planos do governo de alterar o modelo de concessões de terminais portuários no país.
Os guindastes deverão ser instalados no terminal Embraport, um novo terminal de contêineres no porto do litoral paulista, que não usa o modelo de contratação de funcionários avulsos, como ocorre nos portos públicos.
O terminal portuário da Embraport, um investimento de 2,3 bilhões de reais, ainda não tem movimentação de cargas. Mas o incidente dá uma ideia da resistência dos sindicalistas as mudanças propostas pelo governo e do que os exportadores podem esperar no futuro.
Os sindicalistas argumentam que as mudanças propostas pelo governo vão fragilizar as relações de trabalho da categoria e ameaçam com greves generalizadas nos portos do país, no momento em que se inicia o escoamento da safra brasileira de grãos e de açúcar.
Os manifestantes alegaram que operários do navio chinês estavam descarregando o navio, mas a empresa nega.
"A Embraport esclarece que é absolutamente infundada a alegação de que teria contratado profissionais chineses para o desembarque e a montagem dos equipamentos de seu terminal", afirmou a companhia em nota.
"Estes procedimentos são realizados pelo fabricante dos equipamentos e seus funcionários, conforme exigência contratual do fornecedor, aspecto esclarecido desde o primeiro momento da negociação com os sindicatos", disse a empresa. Continuação...

