Ausência de Temer em evento petista expõe insatisfação do PMDB

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 19:22 BRT
 

Por Ana Flor

BRASÍLIA, 21 Fev (Reuters) - A ausência do vice-presidente Michel Temer, principal liderança do PMDB na aliança governista, no evento de comemoração dos 10 anos do PT na Presidência da República que serviu para lançar a presidente Dilma Rousseff à reeleição, expôs a insatisfação do principal aliado a 16 meses do início oficial da campanha eleitoral.

Apesar da presença do presidente do partido, o senador Valdir Raupp (RO), peemedebistas ouvidos pela Reuters admitiram que a decisão foi a de uma aparição "protocolar" no evento, ao contrário de 2010, quando Temer era figura constante ao lado de Dilma na campanha.

"Ele (Temer) tem tido uma relação boa com Dilma, mas isso não tem se traduzido em atos políticos que ele pode levar ao partido, que se sente desprestigiado", disse à Reuters uma fonte próxima ao vice-presidente.

O desconforto do PMDB, que desde o início do mandato reclama por mais espaço na Esplanada dos Ministérios como forma de reconhecimento de sua importância no governo e fidelidade, aumentou com episódios recentes protagonizados por petistas.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que costura as alianças para 2014, sugeriu que Temer fosse candidato ao governo de São Paulo com o apoio do PT, deixando a vaga de vice na chapa de Dilma para Eduardo Campos, governador de Pernambuco, que tem se movimentado como possível candidato presidencial --e por isso mesmo, apesar de presidir o PSB, também não foi à festa petista.

Enfurecidos, peemedebistas de São Paulo responderam afirmando que Temer, se quisesse concorrer ao governo paulista, "não precisa de legenda", já que o partido é forte no Estado.

"Até mais (forte) que o PT", disse um peemedebista que faz parte do governo, sob condição de anonimato.

Na terça-feira, o diretório paulista do PMDB divulgou nota afirmando que a prioridade é manter Temer na vice de Dilma e que a sigla terá candidato próprio a governador no Estado.   Continuação...

 
O vice-presidente Michel Temer deixa a casa da presidente Dilma Rousseff, então recém-eleita, em novembro de 2010. 03/11/2010 REUTERS/Ueslei Marcelino