26 de Fevereiro de 2013 / às 12:17 / em 5 anos

Desemprego no Brasil sobe a 5,4% em janeiro, pressionado por São Paulo

Por Rodrigo Viga Gaier

Trabalhador conserta turbina da hidrelétrica de Furnas, na cidade de São José da Barra, em Minas Gerais. O desemprego brasileiro subiu para 5,4 por cento em janeiro, ante 4,6 por cento em dezembro, quando havia atingido o menor nível histórico, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 14/01/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO, 26 Fev (Reuters) - O desemprego aumentou em janeiro, em função de fatores sazonais e pressionado pelo desempenho de São Paulo, mas ainda assim o resultado foi o melhor para um mês de janeiro, mostrando a força do mercado de trabalho.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego subiu para 5,4 por cento, após atingir o menor nível histórico em dezembro, a 4,6 por cento.

Se a taxa é a menor para janeiro na série histórica do IBGE iniciada em março 2002, é a mais alta desde setembro do ano passado, quando ela também ficou em 5,4 por cento.

“(A alta) é sazonal. Os temporários e os que pararam de procurar em dezembro voltam agora”, explicou o coordenador da pesquisa do IBGE, Cimar Pereira Azeredo.

O resultado ficou levemente acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta para 5,3 por cento segundo mediana das previsões de 27 analistas consultados. As estimativas variaram entre 4,9 e 5,5 por cento.

A taxa de janeiro ainda ficou pouco abaixo dos 5,5 por cento registrados no mesmo mês de 2012, o que indica estabilidade do setor.

“O setor inicia o ano como terminou, com resistência e força ao vermos a manutenção da taxa de desemprego bastante baixa”, avaliou o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos.

A população ocupada recuou 1,2 por cento em janeiro na comparação com dezembro, crescendo 2,8 por cento ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 23,144 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas.

Já a população desocupada chegou a 1,331 milhão de pessoas em janeiro, alta de 17,2 por cento ante dezembro e de 1,4 por cento sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

O resultado geral mostra que o mercado de trabalho continua forte, apesar da fraqueza da economia. Na próxima sexta-feira, o IBGE divulga os dados do PIB no quarto trimestre de 2012 e no ano, e a expectativa é de que a expansão não tenha superado 1 por cento.

SÃO PAULO E INDÚSTRIA

Segundo o IBGE, a região metropolitana de São Paulo foi responsável por boa parte da alta do desemprego em janeiro. A taxa na região, que responde por cerca de 42 por cento do total da pesquisa, subiu para 6,4 por cento ante 5,2 por cento em dezembro.

Em São Paulo, 130 mil pessoas foram dispensadas em janeiro e 126 mil estavam desempregadas e à procura de uma vaga, levando a uma alta de 23,3 por cento ante dezembro e de 22,3 por cento sobre janeiro de 2012 na população desocupada da região.

Para o coordenador da pesquisa, esse é um movimento atípico que precisa ser melhor investigado.

“Subiu acima do padrão dos últimos anos, mas temos que esperar para saber porque essas pessoas foram pressionar o mercado de trabalho”, disse Azeredo.

No resultado geral, a comparação de janeiro contra dezembro de 2012 mostrou que os setores que mais dispensaram foram os de construção civil (95 mil pessoas) e comércio (96 mil).

Apenas a indústria e os outros serviços, que incluem hotelaria, bares e restaurantes, ampliaram o quadro de empregados, com alta de 55 mil e 34 mil profissionais, respectivamente.

“É um sinal positivo para indústria, que vinha dispensando nos últimos meses”, ressaltou Azeredo.

RENDIMENTO

O IBGE informou ainda que o rendimento médio da população ocupada em janeiro teve uma leve queda de 0,1 por cento sobre dezembro, mas subiu 2,4 por cento em relação a janeiro de 2012, atingindo 1.820 reais.

Santos acredita que a força do mercado de trabalho continuará ao longo deste ano e será um fator a pressionar os salários por mais aumentos.

“Há uma relação defasada entre condições monetárias e mercado de trabalho, então as condições mais frouxas no ano passado ainda terão um efeito ao longo de 2013. Não antecipamos nenhuma deterioração significativa”, disse o economista-chefe do BES Investimento.

Reportagem adicional de Camila Moreira, em São Paulo

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