ESPECIAL-Aécio ainda não une partidos de oposição, que buscam alternativas

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013 14:44 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 25 Fev (Reuters) - Ainda tentando entender os motivos que levaram a presidente Dilma Rousseff a antecipar o movimento da reeleição, os partidos de oposição buscam uma alternativa eleitoral para retornar ao poder e, por enquanto, a provável candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) não une os oposicionistas.

Dirigentes dos três principais partidos, PPS, DEM e PSDB ouvidos pela Reuters revelaram também que ainda não há uma estratégia definida para tentar voltar ao comando do país em 2014, quando a oposição completará 12 anos fora do Palácio do Planalto.

Mesmo entre os tucanos, que devem ter a candidatura de Aécio imposta, os movimentos estratégicos para disputar a Presidência são marcados pelo improviso. Foi o caso do discurso do senador mineiro na semana passada, antecipado para se contrapor à festa petista em comemoração aos 10 anos de governo federal.

Ou ainda a estratégia desastrada de se opor à candidatura do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado, dias antes da votação. O movimento foi classificado como "erro" na cúpula do PSDB, porque o partido não conseguiu mobilizar os demais aliados e mesmo na bancada tucana houve grande apoio a Renan, que é alvo de pedido de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Não há maior definição no campo oposicionista. Tem a provável candidatura do PSDB, do Aécio Neves, e evidentemente está como um hipótese de trabalho, vamos usar essa denominação, do PPS", disse o presidente da legenda à Reuters, deputado Roberto Freire (SP).

"Mas existem outras hipóteses. Se Eduardo Campos (PSB)efetivamente se tornar uma alternativa ao bloco dominante é uma hipótese de trabalho para o PPS. A Marina Silva também pode vir a ser uma hipótese de trabalho", acrescentou Freire, cujo partido já esteve na base aliada do governo petista no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Marina, que recebeu cerca de 20 milhões de votos em 2010 quando concorreu à Presidência pelo PV, articula a criação de um novo partido e pode se candidatar novamente. Já a candidatura de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, tem sido ventilada desde o final das eleições municipais do ano passado, quando os socialistas conquistaram 444 prefeituras, entre elas cinco capitais.

Assim como o PPS ainda estuda se a candidatura tucana é o melhor caminho para voltar ao poder, o DEM também quer outras definições antes de se juntar a um projeto para 2014.   Continuação...