Filmes "insensíveis" atraem polêmica e protestos

terça-feira, 2 de setembro de 2008 11:58 BRT
 

Por Gregg Kilday

LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - Você tem um filme novo a lançar? Prepare-se: alguém, em algum lugar, está apenas esperando para fazer um protesto.

Nos últimos meses, grupos hindus protestaram contra "O Guru do Amor", e defensores dos deficientes mentais fizeram objeções à maneira como a palavra "retardado" é usada em "Trovão Tropical".

Na semana passada, uma filial em Los Angeles do Conselho de Relações Americano-Islâmicas pediu a Warner Bros para mudar o título de seu filme ainda inédito "Towelhead" (o título significa "turbante", mas é um termo pejorativo usado como sinônimo de "muçulmano").

Como que para deixar claro até que ponto as sensibilidades estão aguçadas, o roteirista Mike Scott, escrevendo na quinta-feira no jornal Times-Picayune de Nova Orleans, criticou o lançamento de "Disaster Movie" no terceiro aniversário da passagem do furacão Katrina.

Embora o filme satírico não faça humor envolvendo furacões, Scott considerou "totalmente insensível" a escolha da data de estréia do filme.

De qualquer maneira, Nova Orleans tinha algo bem mais concreto com que se preocupar, com a aproximação de um desastre potencial real, o furacão Gustav. E a maior parte do público não prestou muita atenção a "Disaster Movie" (que no Brasil terá o título "Super-heróis e a Liga da Injustiça") de qualquer maneira: o filme estreou na sétima posição das bilheterias, vendendo apenas 6,9 milhões de dólares em ingressos em seus primeiros quatro dias em cartaz.

Mas o cinema ainda ocupa espaço grande no debate público. O simples fato de um filme tratar de um tema em particular é capaz de desencadear uma discussão. E, a partir do momento em que um grupo começa a protestar, a mídia se apressa a cobrir a "controvérsia", que, no mínimo, dará às emissoras a oportunidade de transmitir um clipe de filme para animar seus jornais.

Muitos na mídia acham que Hollywood, na verdade, aprecia essas polêmicas, segundo o raciocínio "falem mal, mas falem de mim". Mas Hollywood, que prefere controlar as mensagens que cria para promover seus filmes, geralmente preferiria que os protestos desaparecessem sem alarde.   Continuação...