6 de Fevereiro de 2008 / às 01:50 / 10 anos atrás

Mocidade capricha na bateria, mas repete no visual histórico

<p>Atra&ccedil;&atilde;o da Mocidade Independente de Padre Miguel, que abriu o segundo dia de desfiles do Carvaval do Rio de Janeiro. Photo by Stringer</p>

Por Denise Luna e Fernanda Ezabella

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A irresistível bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel levantou a Marquês de Sapucaí logo na abertura do segundo e último dia de desfiles do Grupo Especial, na noite de segunda-feira.

Mas a alegria não foi suficiente para abafar a confusão de cores do carnavalesco Cid Carvalho, que para contar a história do império português trouxe para a avenida romanos, persas, gregos, reis e príncipes numa salada de alegorias.

A agremiação abusou de tecidos para compor o enredo de realeza, seguindo assim os passos da São Clemente, da noite anterior, que como a verde e branca também recebeu incentivo da Prefeitura para cantar a família real.

O fato das duas escolas terem o mesmo tema não preocupou o presidente da escola, Paulo Vianna.

"Acho que não tem nada a ver, é história e cultura para o povo, é uma homenagem importante", disse Vianna ao final do desfile.

Apesar do clima de "deja vu", com as perucas brancas e carruagens parecidas com a São Clemente, a Mocidade agradou a platéia pela garra de tentar esquecer o 11o lugar do ano passado.

Trouxe muita coreografia e um refrão fácil --"Minha mocidade, guerreira"--, cantado por boa parte do público.

No entanto, a escola de Padre Miguel não inovou --a inovação costumava ser uma marca de Cid Carvalho, discípulo de Paulo Barros.

No segundo dia de desfiles, devem passar pela Sapucaí Unidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Grande Rio e Beija Flor.

EMOÇÃO EM FAMÍLIA

A foliona Ezilda de Menezes, 75 anos, desfilou pela 15a vez na Mocidade, este ano com dez membros de sua família. "O samba está ótimo, todo ano é a mesma emoção. Fico mais contente na hora dos fogos, quando a gente entra", disse, emocionada, na dispersão.

O carnavalesco Cid optou por contar a história de São Sebastião, monarca português que buscava tornar seu país o quinto império universal.

A família real, no entanto, não ficou de fora, representada na Comissão de Frente por dona Maria, a louca, e outras citações.

As roupas pesadas do Carnaval histórico fizeram com que algumas pessoas fossem atendidas no posto médico da dispersão, fato semelhante registrado no desfile da São Clemente.

Segundo os organizadores, 395 foliões foram atendidos nos postos médicos do sambódromo na primeira noite, a maior parte por mal-estar devido ao calor e fadiga, contra 474 do mesmo período de 2007.

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