Depois de manifestação de Bjork, China vai controlar cantores

sexta-feira, 7 de março de 2008 16:33 BRT
 

XANGAI (Reuters) - O Ministério da Cultura chinês anunciou na sexta-feira, depois de a cantora islandesa Bjork ter gritado "Tibet! Tibet!" num concerto em Xangai no fim de semana passado, que a China vai aumentar os controles sobre cantores e outros artistas estrangeiros.

Bjork declamou o nome da região do Himalaia governada pela China depois de cantar sua música "Declare Independence", que já usou no passado para promover os movimento de independência de lugares como o Kosovo.

Em comunicado citado pela agência oficial de notícias Xinhua, o Ministério disse que a manifestação de Bjork "não apenas infringiu as leis e normas e ofendeu os chineses, como contrariou o código de conduta profissional de um artista".

"Qualquer tentativa de separar o Tibet da China enfrentará a oposição resoluta do povo chinês e de todos os homens justos do mundo."

Sem entrar em detalhes maiores, o Ministério disse que vai investigar o concerto e tratar da questão como manda a lei.

Em seu site, Bjork disse que as referências que fez à independência foram de teor mais pessoal que político, mas acrescentou:

"O fato de que foram traduzidas para seu significado mais amplo, a luta de um povo oprimido, me agrada muito. Eu gostaria de desejar boa sorte a todos os indivíduos e as nações em sua luta pela independência."

A Free Tibet Campaign, organização com sede na Grã-Bretanha que defende o fim do domínio chinês sobre o Tibet, divulgou comunicado dizendo-se muito satisfeito com a performance de Bjork.

"Ela demonstrou mais coragem que políticos como (o premiê britânico) Gordon Brown e (o secretário do Exterior britânico) David Miliband, cujo silêncio público sobre essas questões, em visitas que fizeram recentemente à China, é motivo de vergonha para o povo britânico", disse a entidade.