30 de Maio de 2008 / às 12:47 / em 9 anos

Comentário de Sharon Stone sobre "carma" irrita China

PEQUIM (Reuters) - A firma varejista de luxo Christian Dior tirou anúncios com Sharon Stone de lojas por toda a China, depois de a atriz sugerir que o terremoto em Sichuan foi fruto de "carma negativo" provocado pela política de Pequim no Tibete.

Pelo menos 68 mil pessoas morreram no terremoto que sacudiu o sudoeste da China em 12 de maio. O abalo aconteceu meses após distúrbios no Tibete que desencadearam manifestações de ultraje internacionais contra a maneira como Pequim trata a região de predominância budista, invadida por tropas comunistas chinesas em 1950.

"Devido às reações de alguns consumidores, decidimos tirar a imagem dela [Stone] de todas as lojas de departamentos e de toda a China", disse a Christian Dior China em comunicado à imprensa.

Sharon Stone tem um contrato com a divisão de cosméticos da empresa de luxo, para a qual a China é um mercado em rápido crescimento.

"Queremos que nossos clientes e fãs entendam que os comentários pessoais dela não têm ligação com a empresa, e é claro que não apoiamos nenhum tipo de declaração que ofenda nossos clientes", disse a Dior.

O jornal Beijing Times informou que os cinemas chineses vão deixar de exibir filmes com Sharon Stone. A China já impõe limites rígidos ao número de filmes estrangeiros que distribui em seus cinemas.

Os filmes de Stone incluem "Instinto Selvagem", de 1992, e "Cassino" e "Rápida e Mortal", ambos de 1995.

Sharon Stone pediu desculpas por suas declarações. O pedido de desculpas foi divulgado pela mídia chinesa na quinta-feira.

"Durante uma entrevista eu fiz comentários inapropriados. Fico muito triste por qualquer ofensa que eu possa ter feito ao povo chinês e peço desculpas", teria dito Stone, em tradução chinesa de suas declarações, segundo o Beijing News.

O Ministério do Exterior da China também opinou sobre o assunto.

"Esperamos que, como atriz americana, ela possa contribuir para a confiança, a compreensão e a amizade entre nossos dois povos", disse em coletiva de imprensa o porta-voz do ministério, Qin Gang.

Nas declarações iniciais da atriz, feitas no tapete vermelho do festival de cinema de Cannes, ela descreveu como "bom amigo" o líder espiritual do budismo tibetano, o Dalai Lama, repudiado pela China, que o tacha de "traidor".

Depois de mencionar os distúrbios no Tibete, ela disse em comentário divulgado no YouTube: "E então aconteceram esse terremoto e essas coisas todas, e eu pensei, será que isso é carma? Que quando você não é legal, coisas ruins lhe acontecem?"

Blogueiros chineses, que foram especialmente ativos em criticar o Ocidente por sua atitude em relação ao Tibete, vêm manifestando sua fúria pelas declarações de Stone.

"Não dêem atenção a essa velha", diz um deles. "Não assistam a seus filmes, não comprem os produtos que ela representa."

Outro blogueiro descreveu Sharon Stone como "porca suja".

Em resposta a um artigo sobre Stone publicado no Diário da China, um leitor escreveu: "Todos os chineses deveriam boicotá-la para que ela tome conhecimento de nosso poder. Ela deveria ir para o inferno."

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