Depois do desfile, fantasia vira lixo ou é revendida na Sapucaí

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008 09:04 BRST
 

Por Fernanda Ezabella

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um caminhão de lixo não era alegoria, mas estava cheio de fantasias de Carnaval em um dos portões de saída da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Logo após o primeiro desfile das escolas de samba do grupo Especial, na noite de domingo, muitos foliões se desfaziam de suas fantasias, que iam parar no caminhão de lixo ou em um mercado negro dentro do próprio sambódromo.

"É uma coisa bárbara até", disse Marco Antônio Gonçalves Ramos, agente que cuida do acesso entre as arquibancadas, justamente no portão onde estava estacionado o caminhão de lixo.

Fantasias coloridas, cheias de plumas, se misturavam a sacos contendo o lixo retirado do sambódromo. "São plumas zero quilômetro, usadas apenas uma vez, indo para o lixo assim, como todo esse chorume", disse Marco, que presenciou a mesma cena em "outros Carnavais".

O gari Gladiston Santos, também em seu segundo ano no mesmo papel na folia, lembra com pesar das fantasias jogadas fora. "Dá dó, é muita coisa nova indo para o lixo", disse.

"São coisas que podiam ser recicladas, mas a gente não pode fazer nada", acrescentou.

Um outro destino das roupas e acessórios que os foliões dispensam é um mercado negro instalado na dispersão do sambódromo.

Garotos, que conseguem entrar sem convite, fazem a limpa nos lixos espalhados na área e revendem as fantasias para pessoas do lado de fora, através de um portão.   Continuação...