November 6, 2007 / 1:47 PM / 10 years ago

Roteiristas de Hollywood entram em greve após fim de negociações

4 Min, DE LEITURA

<p>Entrada dos est&uacute;dios da Paramount PIctures, em Los Angeles, Calif&oacute;rnia. Roteiristas de cinema e televis&atilde;o dos Estados Unidos entraram em greve na segunda-feira, ap&oacute;s o fracasso das negocia&ccedil;&otilde;es de &uacute;ltima hora que tentavam evitar a primeira paralisa&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o dos Escritores da Am&eacute;rica em quase duas d&eacute;cadas. Photo by Danny Moloshok</p>

Por Dean Goodman

LOS ANGELES (Reuters) - Roteiristas de cinema e televisão dos Estados Unidos entraram em greve na segunda-feira, após o fracasso das negociações de última hora que tentavam evitar a primeira paralisação da Associação dos Escritores da América em quase duas décadas.

A greve deve afetar muitos seriados e talk-shows de fim de noite, como "The Tonight Show With Jay Leno", da NBC, e o "Late Show With David Letterman", da CBS, que devem ter programas reprisados.

Os roteiristas da Costa Leste pararam oficialmente à 0h01 (3h01 em Brasília) e foram seguidos três horas depois por seus colegas da Costa Oeste.

A paralisação na Costa Leste provocou o fim das negociações que já duravam dez horas em Los Angeles entre o sindicato e a Aliança dos Produtores de Filmes e Televisão (AMPTP).

Os roteiristas reivindicam principalmente um aumento na sua participação sobre a venda de filmes e programas em DVD e pela Internet.

"Apesar do fato de que as negociações continuam, a WGA decidiu começar sua greve em Nova York," disse o presidente da AMPTP, Nick Counter, em nota. "Quando perguntamos se eles iriam 'parar o relógio' com o propósito de adiar a greve para permitir que as negociações continuassem, eles se recusaram."

Uma greve prolongada pode custar centenas de milhões de dólares em faturamento e salários perdidos.

Embora os estúdios tenham feito um estoque de roteiros, já prevendo uma greve, a produção de muitas séries deve parar já nesta semana, pois os roteiristas não irão aos sets de filmagem oferecer emendas de última hora nos textos.

O impacto nos cinemas é menos imediato, já que os grandes estúdios já têm roteiros selecionados para o ano que vem inteiro.

A Associação dos Escritores, que representa quase 12 mil roteiristas, disse ter retirado a reivindicação de maior participação nas vendas de DVD, o que a AMPTP na semana passada havia qualificado como "completo obstáculo a qualquer novo progresso". Mas o sindicato disse que os estúdios rejeitaram concessões no pagamento por downloads e streaming na Internet.

Antes de a paralisação começar, os roteiristas de Los Angeles haviam enchido caminhões com sinalização para piquetes, água e mesas. Haveria piquetes em 14 grandes estúdios, incluindo Walt Disney e sua subsidiária ABC, Warner Bros., Paramount Pictures, CBS e Fox.

Os sindicalistas dizem que participar dos piquetes é obrigatório e que entregar textos incompletos ao sindicato garante que não haverá trabalho às escondidas.

A greve representa um dilema para autores que são também produtores ou criadores dos seus programas.

"Tenho de descobrir como fazer greve e piquete contra mim mesmo", disse Spike Feresten, ex-roteirista e produtor da série "Seinfeld", atualmente dono de um talk-show semanal na Fox.

A última grande greve de Hollywood aconteceu em 1988 e durou 22 semanas, o que adiou o início da temporada de TV e custou cerca de meio bilhão de dólares em prejuízos ao setor.

O economista Jack Kyser, de Los Angeles, disse que uma greve similar desta vez resultaria em prejuízo de pelo menos 1 bilhão de dólares.

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