Família de Garcia Lorca não quer que corpo do poeta seja exumado

quinta-feira, 18 de setembro de 2008 17:59 BRT
 

Por Sarah Morris

MADRI (Reuters) - O túmulo do mais célebre poeta e dramaturgo da Espanha, Federico Garcia Lorca, está no centro de uma disputa sobre se os corpos de milhares de vítimas do ditador Francisco Franco enterrados em valas comuns devem ou não ser sepultados com dignidade.

A família de Lorca acredita que as tropas de Franco executaram o escritor, ao lado de três outros homens, nas primeiras semanas da Guerra Civil, em 1936, e os enterraram numa vala comum perto de Granada, no sul do país, juntamente com entre mil e 3.000 outras vítimas.

As famílias de dois dos homens enterrados com o autor de "Bodas de Sangue" e "Romanceiro Gitano" querem exumar os restos mortais de seus parentes, mas a família de Lorca é contra.

"Achamos que a abertura de uma sepultura não fecha uma ferida", disse uma sobrinha do poeta, Laura Garcia Lorca.

Mas as duas famílias que defendem a exumação têm o apoio da Associação para a Recuperação da Memória Histórica, que procura justiça para as vítimas da Guerra Civil.

"A exumação dos restos de Federico Garcia Lorca, Dioscoro Galindo, Francisco Galadi e Juan Arcollas é uma questão de direitos humanos", disse a associação em comunicado à imprensa.

Parentes das vítimas pediram ao juiz espanhol Baltasar Garzón -- que chegou perto de extraditar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet em 1998 -- que ordene a abertura da sepultura, na ravina Viznar, na província de Granada.

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