Pintura de Bacon quebra recorde do pós-guerra em leilão

quinta-feira, 15 de maio de 2008 11:49 BRT
 

Por Christopher Michaud

NOVA YORK (Reuters) - O quadro "Triptych, 1976", de Francis Bacon, foi arrematado por 86 milhões de dólares em um leilão da Sotheby's de arte contemporânea, na quarta-feira, estabelecendo um recorde para arte do pós-guerra e contribuindo para o melhor resultado da casa de leilões em seus quase 300 anos de história.

Com um total de 362 milhões de dólares, incluindo comissões, a casa superou até mesmo seus melhores resultados com leilões de arte impressionista e moderna. Foi mais um marco para o mercado de arte contemporânea e do pós-guerra, cuja valorização parece ser constante.

Foi a segunda noite consecutiva de recordes no mercado, depois de "Benefits Supervisor Sleeping", de Lucian Freud, ter alcançado um recorde para trabalhos de um artista vivo, ao ser vendido por 33,64 milhões de dólares pela casa Christie's, na terça-feira.

A Sotheby's tinha estimado que a monumental pintura de Bacon em três telas seria vendida por cerca de 70 milhões de dólares, mas dois compradores determinados, fazendo lances pelo telefone, elevaram o preço para 86.281.000 dólares.

O leilão, em que 87 por cento dos 83 lotes à venda encontraram compradores, superou sua estimativa anterior máxima de 357 milhões de dólares, o que deverá silenciar os pessimistas que previam que os leilões da primavera marcariam o início de um processo de correção do mercado. Alguns leiloeiros, falando reservadamente, tinham expressado o receio de que a instabilidade nos mercados financeiros pudesse prejudicar os gastos com belas artes.

O recorde anterior para uma obra do irlandês Bacon, morto em 1992, era 52,68 milhões de dólares, ocorrido no ano passado. Finalizado em 1976, o tríptico que bateu esse recorde estava na mesma coleção européia desde que foi comprado de uma galeria londrina em 1977.

"Orange, Red, Yellow", de Mark Rothko, não encontrou comprador, apesar das previsões de que seria arrematado por mais de 35 milhões de dólares. Ironicamente, o recorde anterior de arte do pós-guerra ou contemporânea em leilões era de outro trabalho de Rothko -- "White Center (Yellow, Pink and Lavender on Rose)" --, vendido por 72,84 milhões de dólares pela Sotheby's no ano passado.

Dezessete outros artistas bateram recordes, incluindo Yves Klein, cujo "MG9" foi alvo de uma guerra prolongada de lances, antes de ser arrematado por 23,56 milhões de dólares -- quase três vezes acima da maior estimativa inicial.

Robert Rauschenberg, que morreu na Flórida esta semana, também alcançou um recorde de preços, com sua tela "Overdrive" sendo arrematada por 14,6 milhões de dólares. Tom Wesselmann, Lee Krasner, Brice Marden, Piero Manzoni e Takashi Murakami também fixaram recordes. Murakami superou de longe seu recorde anterior, de 2,7 milhões de dólares pagos por um trabalho dele, quando "My Lonesome Cowboy" foi arrematado por nada menos de 15,16 milhões de dólares.

 
<p>Visitante observa  'Triptych, 1976' , de Francis Bacon, em Londres, dia 14 de abril. O quadro 'Triptych, 1976', de Francis Bacon, foi arrematado por 86 milh&otilde;es de d&oacute;lares em um leil&atilde;o da Sotheby's, na quarta-feira, um recorde para arte do p&oacute;s-guerra e contribuindo para o melhor resultado da casa de leil&otilde;es em seus quase 300 anos de hist&oacute;ria. Photo by Alessia Pierdomenico</p>