Morre aos 82 o teórico conservador americano William Buckley

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 19:10 BRT
 

Por Daniel Trotta

NOVA YORK (Reuters) - O escritor e comentarista William F. Buckley, intelectual espirituoso e aristocrático que ajudou a fundar o movimento conservador moderno na política dos Estados Unidos, morreu na quarta-feira. Ele tinha 82 anos.

Buckley sofreu de enfisema ao longo do último ano e morreu na manhã da quarta-feira enquanto escrevia na sala de trabalho de sua casa em Stamford, Connecticut, informou Jack Fowler, publisher da revista National Review, fundada por Buckley em 1955.

Para muitos, Buckley influenciou posições do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan. Ele foi uma das vozes mais destacadas do movimento político conservador que ajudou a colocar um republicano na Casa Branca em sete das últimas dez eleições presidenciais.

"Grande homem, grande líder. Grande conservador que estava à frente de seu tempo, espirituoso e bem articulado", disse o senador John McCain, o provável candidato republicano à presidência dos EUA neste ano.

Buckley, que misturava anticomunismo e visões tradicionais sobre questões sociais como o aborto em suas posições, conquistou o pensamento conservador norte-americano.

Ele apresentava suas opiniões num tom charmoso e erudito que fez dele um herói da direita política. No entanto, setores da esquerda o consideravam presunçoso e empolado.

O falecido historiador Arthur Schlesinger Jr. descreveu William Buckley como "o grande flagelo do liberalismo" --opinião que teria agradado muitíssimo a Buckley.

"É muito simples: sem Buckley não haveria movimento conservador", disse Fowler. "Ele criou o movimento conservador. Acho que ninguém mais possui o charme e o talento para convencer com seus argumentos. É uma realização monumental. Ele criou um grande movimento político que moldou profundamente os EUA e o mundo."

Buckley ocupava o cargo de editor executivo da National Review e escreveu mais de 40 livros, incluindo o recém-publicado "Let Us Talk of Many Things: The Collected Speeches" (Falemos de muitas coisas -- Coletânea de discursos) e o romance "Elvis in the Morning".