13 de Novembro de 2007 / às 19:47 / 10 anos atrás

Cada vez mais norte-americanas aderem ao biquíni brasileiro

Por Adriana Garcia

WASHINGTON (Reuters) - Quando o estilista brasileiro Amir Slama começou a exportar biquínis para os EUA, nos anos 1990, teve que adaptar suas criações e acrescentar mais pano, para agradar ao gosto mais conservador das norte-americanas.

Mas as coisas estão mudando, e mais norte-americanas passaram a procurar os biquínis minúsculos que fazem tanto sucesso nas praias do Rio de Janeiro.

"Quando começamos a vender no exterior, tivemos que criar dois formatos diferentes --um para a Europa e outro para os Estados Unidos, sendo o americano o maior", contou Slama, 41 anos, diretor criativo da Rosa Chá, uma das grifes mais famosas do Brasil em termos de moda praia.

"Mas hoje, nos grandes centros como Los Angeles, Nova York ou Miami, a predominância já é do tamanho brasileiro", disse Slama em entrevista.

O estilista, que exibe suas coleções na Semana de Moda de Nova York desde 2000, acha que o estilo mais enxuto está ganhando popularidade porque a percepção que as mulheres têm de seu corpo mudou.

Enquanto as norte-americanas estão ficando mais ousadas, as brasileiras, segundo o estilista, começaram a prestar mais atenção a seus seios que ao bumbum.

"No Brasil as mulheres não prestavam atenção aos seios. Todo o foco era sobre a parte inferior do corpo", explicou.

"Hoje, mesmo que não tenham implantes, elas querem destacar a parte superior do corpo, enquanto a parte inferior (do biquíni) aumentou para proporcionar mais conforto na praia."

O Brasil é célebre por sua moda praia. Gisele Bundchen teve uma participação importante na promoção do estilo brasileiro nos EUA nos anos 1990, como teve a atriz de Hollywood Carmen Miranda na década de 1940, disse Slama.

A paulista Rosa Chá exporta cerca de 18 mil biquínis aos EUA por ano, de uma linha de produção total de 500 mil. Amir Slama disse acreditar que o mercado vai continuar a crescer.

Ele deixou de apresentar suas coleções no Brasil, e, em vez disso, se concentra em promover suas criações na Semana de Moda de Nova York todos os anos.

"Desde o início os norte-americanos se mostraram mais abertos a nós que os europeus. Eles nos viram como alguém que produz algo moderno e sofisticado", disse Slama.

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