Spike Lee mostra sangue e esperança em filme sobre 2a Guerra

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 16:22 BRT
 

Por Janet Guttsman

TORONTO (Reuters) - O diretor Spike Lee focou o passado quando fez um filme ambientado na Toscana sobre o frequentemente esquecido papel dos soldados negros americanos na 2a Guerra Mundial.

Mas as transformações vividas pelos Estados Unidos desde aquela época fazem o filme ser relevante também para o presente, disse Lee, que ostentava orgulhosamente a imagem de Barack Obama em sua camiseta ao apresentar "Miracle at St. Anna" para o Festival Internacional de Cinema de Toronto esta semana.

Rodado principalmente na Itália, com financiamento em parte italiano, o filme conta a história de quatro integrantes da 92a Divisão Buffalo, formada inteiramente por soldados negros, que são deixados atrás das linhas inimigas durante o avanço do Exército americano na península italiana.

Por vezes violento, comovente ou puramente meloso, o filme ressalta a camaradagem entre os quatro soldados, as tensões entre eles e o racismo intenso que enfrentavam em seu país e por parte de seus comandantes brancos.

Spike Lee já tratou a questão do racismo em vários filmes, desde "Faça a Coisa Certa" até "O Plano Perfeito" e "When the Levees Broke", mas afirma que s EUA já deixaram para trás o racismo do tipo mostrado em seu filme mais recente, onde os soldados heróis são obrigados a procurar a entrada dos fundos de um bar do Louisiana, enquanto prisioneiros de guerra nazistas tomam sorvete no interior do estabelecimento.

"Houve uma mudança sísmica neste país", disse Lee à Reuters, observando que, mesmo poucos anos atrás, Barack Obama não teria conseguido ser candidato presidencial do Partido Democrata.

"Meu objetivo é mudar o mundo para melhor e entreter ao mesmo tempo."

"Miracle at St Anna" é seu primeiro filme rodado fora dos EUA e o primeiro a ser falado em três línguas, com atores dos EUA, Itália e Alemanha.

Fugindo dos alemães depois de uma batalha sangrenta, os soldados americanos topam com um menino italiano (o ator mirim novato Matteo Sciabordi), e o passado dele vira símbolo da crueldade insensata da guerra.

"É um filme neo-realista afro-americano-italiano", disse Lee.

 
<p>O diretor Spike Lee em confer&ecirc;ncia &agrave; imprensa no 33&ordm; Festival Internacional de Filmes de Toronto em 6 de setembro. Lee focou o passado quando fez um filme ambientado na Toscana sobre o frequentemente esquecido papel dos soldados negros americanos na 2a Guerra Mundial. Photo by Mike Cassese</p>