Museu do Brooklyn vai expor esculturas egípcias falsas

sexta-feira, 15 de agosto de 2008 16:37 BRT
 

Por Ritsuko Ando

NOVA YORK (Reuters) - O Museu do Brooklyn, que recentemente anunciou que sua prestigiosa coleção de esculturas de pedra do antigo Egito estava repleta de falsificações, pretende fazer uma exposição dessas peças para conscientizar o público do problema das falsificações nos acervos artísticos mundiais.

"Precisamos encarar a verdade: que erros são cometidos em museus, como em qualquer outro lugar", disse Edna Russmann, curadora de arte egípcia, clássico e do Oriente Médio antigo, esta semana. "Os museus têm o hábito de esconder essas coisas."

A exposição será inaugurada em fevereiro de 2009.

Russmann disse que desconfiava havia muito tempo da autenticidade de algumas das esculturas coptas (de cristãos egípcios) dos séculos 4 a 6, adquiridas antes de sua chegada ao museu. Alguns acadêmicos já tinham questionado sua autenticidade, e alguns anos atrás ela decidiu investigar o assunto.

A investigação levou três anos e revelou que, das 31 esculturas coptas do museu, a maioria era retocada ou inteiramente falsa. Algumas tinham sido repintadas ou retocadas, e cerca de um terço eram falsificações modernas feitas de pedra egípcia.

Russmann disse que provavelmente é tarde demais para descobrir quem fez as esculturas falsas, mas que a exposição pode motivar outros museus em todo o mundo a examinar seus acervos mais de perto.

"Qualquer museu neste país, e a maioria dos museus importantes da Europa que têm objetos coptas, tem falsificações em meio aos artigos legítimos", disse ela.

O Metropolitan Museum of Art, de Nova York, conhecido por sua coleção enorme de arte egípcia, confia na autenticidade de suas esculturas coptas porque elas foram escavadas no início do século 20, antes de começarem a circular as falsificações.

Mas Helen Evans, curadora de arte bizantina do Metropolitan e responsável por seu acervo cóptico, disse que mesmo pesquisadores experientes podem se enganar.

"Hoje temos equipamentos muito melhores para os estudos sobre conservação, e faríamos mais perguntas do que eram feitas no passado. Mesmo assim, nunca se pode ter total certeza", disse ela.