4 de Junho de 2008 / às 19:48 / 9 anos atrás

Vítima de Polanski quer caso encerrado, mas sem prisão

Por Michelle Nichols

<p>V&iacute;tima de Polanski quer caso encerrado, mas sem pris&atilde;o. O cineasta premiado com o Oscar Roman Polanski n&atilde;o deveria ser obrigado a cumprir pena de pris&atilde;o por ter ilegalmente feito sexo com uma menina de 13 anos, 30 anos atr&aacute;s, diz a v&iacute;tima hoje. 4 de junho. Photo by Jean-Paul Pelissier</p>

NOVA YORK (Reuters) - O cineasta premiado com o Oscar Roman Polanski não deveria ser obrigado a cumprir pena de prisão por ter ilegalmente feito sexo com uma menina de 13 anos, 30 anos atrás, diz a vítima hoje.

O diretor franco-polonês fugiu dos Estados Unidos à França em 1978 antes de ser sentenciado, e Samantha Geimer, que hoje tem 45 anos de idade e três filhos, declarou em entrevista que gostaria que o caso fosse encerrado.

“Não acredito que ele represente um perigo à sociedade”, disse Geimer, que encerrou com um acordo judicial confidencial uma ação cível contra Polanski, mais de dez anos atrás. “Não acho que ele precise ser encarcerado para sempre, e nunca ninguém além de mim o acusou de nada.”

O documentário “Roman Polanski: Wanted and Desired”, que estreou no Festival de Cinema Sundance e será exibido na segunda-feira no canal a cabo americano HBO, chama a atenção para o caso.

“Foi tudo tão avassalador”, disse Geimer, que hoje vive no Havaí e trabalha como contadora e assistente pessoal. “Acho que só queríamos que fosse tudo encerrado, e mandá-lo para a prisão não ajudaria nisso.”

“O que aconteceu comigo naquela noite é difícil de acreditar, mas foi pouco em comparação com o que me aconteceu no ano seguinte de minha vida”, disse ela, falando do frenesi de mídia que cercou o julgamento e acrescentando que ficou aliviada quando Polanski fugiu, porque com isso a mídia se desinteressou pelo caso.

O cineasta, que hoje tem 74 anos, foi acusado de vários delitos, incluindo estupro com o uso de drogas, mas em acordo judicial confessou-se culpado de sexo ilegal com uma menor de idade, crime cometido durante sessão de fotos com Geimer. Ele fugiu para a França, onde é cidadão e de onde não pode ser extraditado para os Estados Unidos, antes de ser sentenciado.

Diretor de “O Bebê de Rosemary” e “Chinatown”, Polanski já tinha passado 42 dias preso, sendo submetido a avaliação psiquiátrica, antes do sentenciamento.

“Acho que ele se arrependeu, ele sabe que errou”, disse Geimer. “Ele deveria ter tido aquele tempo de prisão contabilizado. Ele precisa fazer um acordo para receber tratamento justo quando voltar para cá, e, com sua fama, acho que isso vai ser difícil.”

Na época do julgamento, especialistas psiquiátricos não consideraram que Polanski era um predador sexual, e tanto a defesa quanto a promotoria acharam que liberdade condicional seria castigo suficiente para ele.

Polanski, cuja mulher, a atriz Sharon Tate, foi assassinada por seguidores de Charles Manson quando estava grávida, em 1969, reconstruiu sua vida e carreira na França e em 2003 recebeu o Oscar de melhor diretor por “O Pianista”.

Ele se negou a ser entrevistado por Zenovich para o documentário, que foi feito com imagens de arquivo de entrevistas passadas.

“Foi há 30 anos”, disse Geimer, explicando que já falou sobre o assunto tantas vezes que já deixou de envolver-se emocionalmente. “É uma memória desagradável, mas posso conviver com ela.”

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