Grife subverte o "ecologicamente correto" e traz couros ao SPFW

terça-feira, 17 de junho de 2008 18:16 BRT
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Roupas de plásticos e bolsas de couro de jacaré poderiam ser o pesadelo de estilistas ligados a causas ambientais, como Oskar Metsavaht, cuja grife Osklen abriu a nova edição do São Paulo Fashion Week nesta tarde de terça-feira.

Mas o estilista da grife carioca usou justamente esses materiais para criar acessórios de sua nova coleção de verão e alertar para o que é de fato "moda sustentável".

"O plástico não está errado, o plástico é necessário. O que é errado é jogarmos o plástico fininho no chão, no mato, nas praias", explicou Oskar, que foi atrás de plásticos reciclados para fazer chapéus parecidos com viseiras e outras peças como coletes e capuzes.

Oskar é pioneiro em moda sustentável. Ele criou o Instituto E para elaborar critérios de avaliação de materiais ecologicamente corretos para serem usados pela indústria da moda.

O estilista, que é também médico, explicou que está havendo uma superpopulação de jacarés na Amazônia, criando um desequilíbrio na fauna da região e afetando até mesmo as comunidades ribeirinhas.

Com isso, segundo ele, muitas instituições estão abatendo os animais -- a carne fica com a população, e a pele é aproveitada para a moda.

"É uma grande oportunidade de poder usar peles de animais de origens sustentáveis", disse Oskar, que fez diversos chapéus e sapatos com o material e uma alça vermelha para uma bolsa. "Estamos ajudando a melhorar o ecossistema... aumenta a economia local deles e traz peças maravilhas para a moda. Isso é para as pessoas entenderem o que é desenvolvimento sustentável, não é só sair abatendo animais. Mas o que são abatidos, você tem que aproveitar o que têm deles."

Couro de avestruz e pele de peixe também foram utilizados. O chamois apareceu em uma jardineira rosa, bem solta no corpo, e também em um maiô azul usado com um colete por cima.   Continuação...