Prêmio Nobel vai a Londres para ser entregue a Doris Lessing

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008 13:38 BRST
 

LONDRES (Reuters) - A escritora britânica Doris Lessing vai receber seu Prêmio Nobel de Literatura na quarta-feira, porque não compareceu à cerimônia de entrega na Suécia, no ano passado, por razões de saúde.

A romancista de 88 anos será homenageada numa recepção em Londres oferecida por sua editora, a HarperCollins, e a English PEN, organização que faz lobby pela liberdade de expressão de escritores em todo o mundo.

Quando foi informada do Nobel por jornalistas em outubro passado, diante de sua casa em Londres, Lessing, com sua franqueza habitual, comentou: "Já ganhei todos os prêmios da Europa. Estou felicíssima por ganhar todos... é um royal flush", disse ela, em referência à poderosa combinação de cartas do jogo de pôquer.

E ela permaneceu nas manchetes dos jornais desde o anúncio surpreendente.

Em seu discurso de aceitação do prêmio, lido em seu nome, ela acusou o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, de privar as pessoas da oportunidade de comprar livros ou de escrever devido a seu "reinado de terror".

Em entrevista ao jornal espanhol El País, ela teria dito que os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 "não foram nem tão terríveis, nem tão extraordinários quanto eles (os americanos) pensam."

Ela também descreveu o ex-premiê britânico Tony Blair como "um desastre para a Grã-Bretanha" e o presidente americano George Bush como "calamidade mundial".

Doris Lessing nasceu de pais britânicos no atual Irã, em 22 de outubro de 1919, e em 1925 sua família se transferiu para o atual Zimbábue. Lessing viveu num convento antes de estudar numa escola para meninas, que abandonou antes de concluir o curso.

Ela deixou a casa dos pais, casou-se e divorciou-se duas vezes e tem três filhos. Em 1950, um ano depois de mudar-se para Londres, ela publicou seu primeiro romance, "A Erva Canta."

Seu grande sucesso aconteceu com "The Golden Notebook", publicado em 1962 e mostrando a raiva e a agressão femininas através de sua narradora. Nos anos 1970 e início da década seguinte, Lessing voltou-se à ficção cientifica com a série "Canopus em Argus", antes de retornar à ficção realista. Nos anos 1990, escreveu dois volumes de sua autobiografia. Seu romance mais recente foi "The Cleft", publicado no ano passado.