7 de Dezembro de 2007 / às 20:14 / 10 anos atrás

Morre o compositor alemão Karlheinz Stockhausen

BERLIM (Reuters) - O compositor alemão Karlheinz Stockhausen, um dos mais influentes do século 20 e pioneiro da música eletrônica, morreu aos 79 anos. A mídia alemã citou a ex-esposa de Stockhausen, Mary Bauermeister, dizendo que o compositor morreu após uma curta doença em sua casa, no Estado da Renânia do Norte-Vestefália, na região oeste do país.

Conhecido por seus experimentos com a música eletrônica nas décadas de 1960 e 70, Stockhausen, autor de mais de 300 obras, teve um impacto significativo tanto na música clássica quanto na de vanguarda.

"Qualquer som pode se tornar música se for relacionado com outros sons. Todo som é precioso e pode se tornar bonito se eu colocá-lo no lugar certo, no momento certo", disse ele certa vez numa entrevista.

No começo da carreira, Stockhausen se interessou pela "música concreta", gravando sons do cotidiano, distorcendo-os eletronicamente e juntando-os numa composição.

De obras para solistas até eventos de grande escala, misturando ópera, dança e mímica, Stockhausen dizia que seu objetivo era despertar "uma consciência completamente nova" no público e no intérprete.

Nascido em 22 de agosto de 1928 em Burg Modrath, aldeia perto de Colônia, Stockhausen foi maqueiro na Segunda Guerra Mundial, experiência que lhe marcou profundamente.

Na juventude, flertou com o jazz, tocando piano para bancar os estudos na Escola de Música de Colônia, onde se licenciou em 1951.

Nessa época, já havia começado a compor, e se mudou para Paris para estudar com os compositores Darius Milhaud e Olivier Messiaen.

Suas experiências com música eletrônica decolaram no então recém-criado Estúdio de Rádio da Alemanha Ocidental para a Música Nova, em Colônia, onde ele trabalhou a partir de 1953, chegando a diretor artístico.

Ali encontrou uma forma própria de unir sons numa composição, desenvolvendo uma idéia de compositores europeus de uma geração anterior, como Schoenberg, que compunha em torno de uma série de sons ao invés de desenvolver e repetir um tema.

Em suas primeiras obras, Stockhausen explorava não a melodia, e sim a qualidade e a relação entre um som e outro. "Gesang der Juenglinge" (1956), apresentado por cinco conjuntos de alto-falantes, foi descrito como um "balé sônico", em que a posição de cada caixa é crucial para as imagens acústicas produzidas.

Em 1981, sua obra "Licht" estreou na ópera La Scala, de Milão, marcando época por sua mistura de música solo e para orquestra, de recursos eletrônicos e concretos e o uso da mímica, e consolidando o prestígio do compositor nos círculos convencionais da música clássica.

Reportagem de Madeline Chambers

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