February 6, 2008 / 1:50 AM / in 9 years

Portela surpreende e briga com Mangueira e Viradouro

6 Min, DE LEITURA

<p>O desfile da escola de samba Portela durante a primeira noite de apresenta&ccedil;&atilde;o das escolas no sambodromo do Rio de Janeiro. A Portela foi a grande surpresa na primeira noite de desfile na Marqu&ecirc;s de Sapuca&iacute; neste domingo. Com inova&ccedil;&otilde;es, a escola arrancou o t&atilde;o esperado '&eacute; campe&atilde;' do p&uacute;blico, um grito guardado h&aacute; 24 anos. Photo by Stringer</p>

Por Denise Luna e Fernanda Ezabella

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Portela foi a grande surpresa na primeira noite de desfile na Marquês de Sapucaí neste domingo. Com inovações, a escola arrancou o tão esperado "é campeã" do público, um grito guardado há 24 anos.

Mangueira e Viradouro também levantaram a avenida, sob uma insistente chuva fina, mas sem grandes incidentes para atrapalhar a festa.

Com dupla abertura lembrando os 200 anos da chegada da família real ao Brasil -- do rei Momo em uma majestosa carruagem e da São Clemente, que trouxe a família real como enredo -- o desfile do grupo Especial começou com a irreverência do carnavalesco Milton Cunha.

Na comissão de frente, o carnavalesco colocou a travesti Rogéria como dona Maria, a louca, arrancando aplausos do início ao fim da avenida.

"Fiz tudo para parecer uma louca, só não cocei o cabelo porque estou usando breu e álcool, que era o laquê dos anos 60", disse Rogéria à Reuters.

Além de Rogéria, que participava de uma elaborada e luxuosa coreografia, um outro carro trazia pessoas vestidas de frangos e uma mulher completamente nua abria alas para o carro dos índios "descobertos" por Portugal.

Depois da alegria da São Clemente, a Porto da Pedra colocou japonês no samba, e o resultado foi morno. Segundo a organização, mais de 800 japoneses, descendentes e outros orientais saíram pela escola, como o jornalista japonês Hiroshi Ishida, 37 anos, que mora há dois anos em São Paulo.

"Deu muito orgulho participar, poder comemorar junto. Somos japoneses e também uma parte viva da história do Brasil", disse Hiroshi, em seu segundo Carnaval no Rio.

O Salgueiro, que fez pouco uso de sua cor, o vermelho, foi a terceira escola a desfilar na noite de domingo. Logo na abertura, encantou o público com uma comissão de frente criativa. Uma índia seguida por uma "banana boat" cheia de portugueses passeava em uma reprodução em papel da calçada de Copacabana.

Um carro com acrobatas e as passagens do jogador Edmundo e da rainha de bateria Viviane Araújo foram os destaques no quesito manifestação da platéia, principalmente quando o biquíni de Viviane quase caiu no chão. Nada que um esparadrapo colocado em pleno desfile não resolvesse. Um problema no último carro, também resolvido, atrasou um pouco o andamento do desfile, criando buracos que podem tirar pontos da escola. Mas o show ficou mesmo com Viviane, que pela primeira vez tocou tamborim enquanto evoluía. "Deu tudo certo, todo o treino valeu a pena", disse Viviane ao fim do desfile.

CARRO POLÊMICO SUBSTITUÍDO

A Portela entrou na avenida quando a chuva fina ficou mais intensa. Embora a água tenha causado alguns escorregões na avenida, o clima caiu como uma luva para a escola, que abriu falando da água, em seu desfile ecológico sobre preservação da natureza.

A águia azul e branca da escola veio gigante, no abre alas, junto com outro carro que trazia chuveiros e chafarizes. A novidade deste ano foram duas alegorias de "metamorfoses".

A primeira trouxe passistas em cima de uma alegoria com grandes lenços coloridos presos nos braços, simulando a transformação da lagarta à borboleta. Na outra, de mais impacto, um carro trouxe um bebê gigante desnutrido, em um clima de seca, que se transformava em flores coloridas e um bebê bem saudável.

"A gente se emociona tanto com esse encontro com o público, às vezes ele está lá longe e mostrando tanto carinho, com aplausos, cantando", disse Paulinho da Viola, após atravessar a avenida.

Para Paulinho da Viola, o jejum da escola, que não leva um título há 24 anos, faz parte da festa. "É assim mesmo", disse. "Às vezes o público adora, e são os jurados que decidem. Fica difícil", disse.

Ferida pelas notícias de envolvimento com o tráfico nos último meses, a Mangueira entrou com muita garra na avenida, e o público respondeu cantando o samba.

"A gente mostrou que a Mangueira é uma instituição muito maior do que duas ou três pessoas. A Mangueira está feliz com o Carnaval que apresentou", declarou um emocionado componente ao deixar aos prantos o desfile, que homenageou o centenário do frevo.

Para o ex-presidente da Mangueira Álvaro Caetano, apesar da crise enfrentada este ano, que provocou a saída de um presidente e do diretor de bateria Ivo Meirelles, o desfile saiu como a comunidade queria.

"A Mangueira ferida é um perigo, todo mundo cantou mais um pouquinho", disse feliz.

Após a polêmica com um carro sobre o Holocausto que antecedeu os desfiles, a Viradouro encerrou a primeira noite com o enredo "É de Arrepiar".

O carro sobre o Holocausto, proibido de desfilar pela Justiça, foi substituído por outro com pessoas vestidas de branco e faixas da mesma cor tapando a boca, em silêncio, algumas até chorando. "Liberdade ainda que tardia", dizia uma das faixas no carro, numa referência à liberdade de expressão.

A escola trouxe uma pista de snowboard como abre-alas e diversos foliões vestidos de insetos peçonhentos, aranhas e lagartos, que se arrastavam pelo chão.

A rainha da bateria Juliana Paes, além de graça, trouxe inovação. Numa alusão à taça Jules Rimet, a rainha foi levantava por dois componentes da bateria, que prestaram homenagem à seleção brasileira tricampeã do mundo em 1970.

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