October 25, 2007 / 1:10 PM / 10 years ago

Uma Rapunzel sem príncipe? Pesquisa revê contos de fadas

3 Min, DE LEITURA

Por Solarina Ho

TORONTO (Reuters) - Contos de fadas em que a princesa ganha seu príncipe e vive feliz para sempre com frequência são distorções dos contos folclóricos originais, diz uma pesquisa feita numa universidade canadense.

Jenn Guare, estudante de último ano da Universidade Mount Alison, em New Brunswick, decidiu examinar os contos de fada sob uma ótica feminista, devido a seu interesse em como a literatura infantil afeta a maneira como as mulheres acabam enxergando seu lugar no mundo.

"Muitos dos contos de fadas mais antigos foram escritos e narrados por mulheres", disse Guare.

"Pode-se imaginar que, voltando atrás no tempo, os contos de fada ficariam mais sexistas e patriarcais, mas isso não acontece, na realidade."

Guare disse que as diferenças em muitos casos são pequenas, mas que as vozes das mulheres e seus desejos para suas vidas são perceptíveis nas versões mais antigas.

"Tudo isso foi apagado quando os Irmãos Grimm e a Disney tomaram conta dessas histórias", disse ela, observando que as versões das histórias antigas apresentadas pelos irmãos Grimm talvez sejam as mais sexistas que existem, já que foram escritas para a sociedade patriarcal do século 19.

Por exemplo, na versão de "Rapunzel" de 1812 celebrizada por Jacob e Wilhelm Grimm, Rapunzel é banida para o deserto pela bruxa, até ser encontrada pelo príncipe.

"Ela nunca faz nada para controlar sua própria vida", afirmou Guare. "Apenas é passada da bruxa para o príncipe, e nunca se percebe o que é que ela quer."

Uma versão italiana mais antiga da mesma história, "A Bruxa do Jardim", a conta de maneira diferente: a garota se salva sozinha e retorna para sua mãe. Não há nenhum príncipe que vem resgatá-la.

Essa versão provavelmente se originou como narrativa oral que começou na Idade Média ou no Renascimento, disse Guare, acrescentando que a versão mais antiga da história de Rapunzel data de 500 a.C.

"Temos a idéia -- que na realidade foi perpetuada pelos próprios irmãos Grimm -- de que as versões deles são os contos arquetípicos, os mais 'reais' ou 'genuínos"', disse Guare.

"Mas os contos de fadas vêm de gerações ou séculos atrás. Talvez precisemos retornar àquelas histórias originais, aceitar sua validez e ver se encontramos narrativas que sejam mais úteis no contexto de hoje."

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