20 de Junho de 2008 / às 20:23 / em 9 anos

ESPECIAL-Cinema mexicano: alguns se destacam, outros batalham

Por Armando Tovar

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Enquanto um punhado de diretores mexicanos joga nas grandes ligas do cinema mundial, a indústria cinematográfica local batalha por espaço para seus filmes, ofuscados pelas grandes produções de Hollywood e seus poderosos super-heróis.

Por um lado estão figuras como Alejandro González Iñárritu, Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro, que no final de abril foi escolhido para dirigir dois filmes baseados no livro “O Hobbit”, de J.R.R. Tolkien, a história que antecede a saga de “O Senhos dos Anéis”.

Em seu aplaudido “Babel”, González Iñárritu trabalhou com estrelas como Brad Pitt e Cate Blanchett, quanto Alfonso Cuarón, que se encarregou de transpor ao cinema o terceiro episódio na saga do bruxinho Harry Potter, dirigiu Clive Owen no sombrio “Filhos da Esperança”.

Caso inteiramente distinto é o de Carlos Reygadas, que recorre a pessoas comuns como atores e realiza trabalhos que mergulham fundo na condição humana, como “Luz Silenciosa”, que ganhou o prêmio do júri no Festival de Cannes em 2007.

Entretanto, nem o reconhecimento, nem as ovações nos festivais se traduzem em espaço para a maior parte dos filmes mexicanos nas salas de exibição locais.

“Os filmes de Hollywood levam a parte do leão”, disse Marina Stavenhagen, diretora geral do Instituto Mexicano de Cinematografia (Imcine). “Praticamente oito títulos dominam 80 ou 90 por cento das salas deste país.”

Ela tem razão. Basta folhear a seção de cinema dos jornais para confirmar que o cinema mexicano ocupa um espaço minúsculo nas quase 4.000 salas que existem no país -- número que é praticamente o dobro do de cinemas do Brasil.

Esta semana, das três dezenas de filmes em cartaz no circuito comercial da Cidade do México, apenas um é mexicano: “Déficit”, a estréia na direção do ator Gael García Bernal.

HOMENS DE AÇO, AVENTUREIROS E PANDAS

A luta é dura e os rivais são poderosos -- mais ainda nesta época do ano, em que Hollywood lança suas grandes produções do verão do hemisfério norte.

“Começamos com ‘Homem de Ferro’, ‘Narnia’, ‘Indiana Jones’, ‘Speed Racer’, e ainda vêm por aí ‘Hulk’, ‘Batman’ e ‘Kung-Fu Panda”', disse a diretora do Imcine, através do qual o governo apóia a produção cinematográfica.

Por meio de incentivos fiscais e fideicomissos, o Estado apoiou a produção de filmes em 2007 com cerca de 60 milhões de dólares, contribuindo para pouco mais de metade das 70 produções realizadas no México no ano passado.

A produção de filmes mexicanos caiu devido à crise econômica de meados dos anos 1990, chegando a apenas nove em 1997.

Mas a situação foi se normalizando lentamente, e para este ano o Imcine prevê que sejam produzidos 75 filmes, o mesmo número de 28 anos atrás.

Durante o ano passado, 48 filmes mexicanos estrearam no circuito comercial. Mas a maioria ficou pouco tempo em cartaz, devido a fatores que vão desde o alto preço dos ingressos até a divulgação precária e a pirataria.

Mas existem casos de sucesso comercial, como “Kilómetro 31”, do diretor Rigoberto Castañeda, que marcou um recorde de arrecadação para um filme de terror mexicano: 118 milhões de pesos (11,4 milhões de dólares), tendo sido visto por 3,2 milhões de pessoas.

Os outros dois filmes locais que conseguiram atrair mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas em 2007 foram “Niñas Mal” e “La Leyenda de la Nahuala”, segundo a Câmara Nacional da Indústria Cinematográfica (Canacine).

“El Búfalo de la Noche”, estréia na direção de Guillermo Arriaga (roteirista de “Amores Brutos”, “21 Gramas” e “Babel”), foi visto por apenas 400 mil pessoas.

COM UM POUCO DE AJUDA -- DA TV

Na maioria das vezes, porém, sobretudo em produções experimentais ou com temáticas e estéticas menos convencionais, as pessoas que apostam em fazer cinema são as últimas a lucrar com seu trabalho.

“A maior parte da receita fica com os exibidores e distribuidores. No final da fila, é a vez do produtor”, disse Stavenhagen, autora do roteiro de “De la Calle”, filme que valeu a Gerardo Tort o filme de melhor diretor revelação no Festival de San Sebastián em 2001.

“É fundamental que a televisão entre em cena. Isso se aplica a todas as cinematografias importantes do mundo -- na França, Espanha, Alemanha, Argentina, no Brasil, a televisão exerce um papel fundamental, não apenas no financiamento da produção mas também na promoção e difusão”, disse Stavenhagen.

A Televisa, maior rede de televisão do México, frequentemente transmite clássicos da chamada era de ouro do cinema mexicano (1936-1957). Mas não conta com espaços para a difusão do cinema nacional contemporâneo.

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