ESPECIAL-Cinema mexicano: alguns se destacam, outros batalham

sexta-feira, 20 de junho de 2008 17:19 BRT
 

Por Armando Tovar

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Enquanto um punhado de diretores mexicanos joga nas grandes ligas do cinema mundial, a indústria cinematográfica local batalha por espaço para seus filmes, ofuscados pelas grandes produções de Hollywood e seus poderosos super-heróis.

Por um lado estão figuras como Alejandro González Iñárritu, Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro, que no final de abril foi escolhido para dirigir dois filmes baseados no livro "O Hobbit", de J.R.R. Tolkien, a história que antecede a saga de "O Senhos dos Anéis".

Em seu aplaudido "Babel", González Iñárritu trabalhou com estrelas como Brad Pitt e Cate Blanchett, quanto Alfonso Cuarón, que se encarregou de transpor ao cinema o terceiro episódio na saga do bruxinho Harry Potter, dirigiu Clive Owen no sombrio "Filhos da Esperança".

Caso inteiramente distinto é o de Carlos Reygadas, que recorre a pessoas comuns como atores e realiza trabalhos que mergulham fundo na condição humana, como "Luz Silenciosa", que ganhou o prêmio do júri no Festival de Cannes em 2007.

Entretanto, nem o reconhecimento, nem as ovações nos festivais se traduzem em espaço para a maior parte dos filmes mexicanos nas salas de exibição locais.

"Os filmes de Hollywood levam a parte do leão", disse Marina Stavenhagen, diretora geral do Instituto Mexicano de Cinematografia (Imcine). "Praticamente oito títulos dominam 80 ou 90 por cento das salas deste país."

Ela tem razão. Basta folhear a seção de cinema dos jornais para confirmar que o cinema mexicano ocupa um espaço minúsculo nas quase 4.000 salas que existem no país -- número que é praticamente o dobro do de cinemas do Brasil.

Esta semana, das três dezenas de filmes em cartaz no circuito comercial da Cidade do México, apenas um é mexicano: "Déficit", a estréia na direção do ator Gael García Bernal.   Continuação...