Cartas de amor de Maria Callas serão oferecidas em leilão

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 11:13 BRST
 

Por Marie-Louise Gumuchian

MILÃO (Reuters) - Partituras musicais, vestidos glamurosos e cartas de amor de Maria Callas serão leiloados na próxima semana, oferecendo aos interessados um vislumbre das paixões particulares da diva da ópera cuja voz encantou milhões de fãs.

Colocado à venda pelos herdeiros do falecido marido de Callas, Giovanni Battista Meneghini, o material revela aspectos da vida que a cantora dividiu com o homem que ela deixou para ter um relacionamento explosivo com o magnata grego Aristóteles Onassis.

As 63 cartas escritas por Callas a Meneghini antes e depois do casamento estão sendo descritas como os itens mais valiosos oferecidos pela casa de leilões Sotheby's em Milão, com preço estimado em entre 50 mil e 70 mil euros (72.780 dólares).

Escritas entre 1947 e 1950, elas revelam a vulnerabilidade de Callas e o profundo afeto que ela nutria pelo industrial italiano 28 anos mais velho que ela, que, além de seu marido, era seu empresário.

"Deixar você seria um castigo grande demais para mim", ela escreveu depois de conhecer Meneghini em 1947 em Verona, onde sua carreira decolou com uma apresentação de "La Gioconda", de Ponchielli.

"Amor querido, o dia de nosso encontro se aproxima! Você me deseja? Sou sua!", escreveu a cantora americana de origem grega em outra carta.

Nascida em Nova York, a soprano, que apresentou-se no La Scala de Milão, tornou-se uma das figuras musicais mais conhecidas do século 20, vista como responsável, quase sozinha, pelo renascimento do "bel canto" italiano.

A coleção oferecida em leilão contém 330 objetos, incluindo material que Meneghini comprou em leilão após a morte de Callas, em 1977.

As fotos de "La Divina" são estimadas em a partir de algumas centenas de euros, e seu metrônomo está sendo oferecido por entre 1.000 e 1.500 euros.

Também será leiloada uma tigela de prata dada à cantora pelo presidente americano John F. Kennedy quando ela cantou na comemoração do aniversário dele, em 1962, numa festa que também teve a presença de Marilyn Monroe.