7 de Agosto de 2008 / às 16:55 / em 9 anos

ENTREVISTA-Dennis Hopper estrela comédia eleitoral

Por Iain Blair

LOS ANGELES (Reuters) - A distância é muito grande entre representar o rebelde chapado de “Sem Destino” e o candidato presidencial da nova comédia da Disney “Promessas de Um Cara-de-Pau” (“Swing Vote”), que já está nos cinemas dos Estados Unidos, mas para Dennis Hopper tudo isso faz parte de um dia de trabalho como outro qualquer. Ou, quem sabe, de uma vida de trabalho.

Depois de atuar em mais de 150 filmes e quase o mesmo número de programas de TV, o antigo rebelde de Hollywood conquistou o status que desfruta hoje, de figura altamente respeitada no mundo do entretenimento.

Aos 72 anos, Hopper ostenta aparência perfeitamente condizente com a do respeitado político democrata Donald Greenleaf em “Promessas”, que corteja o apático e fracassado Bud Johnson (Kevin Costner) para conseguir seu voto, já que o destino da eleição será decidido por ele.

Visto em pessoa, Hopper ostenta boa forma, é bronzeado e usa cavanhaque. Ele estava animado quando sentou-se para conversar com a Reuters sobre seu novo filme, a política presidencial e os anos 1960.

PERGUNTA: “Promessas de Um Cara-de-Pau” e sua história sobre a importância do voto não poderiam ser mais apropriados para nosso momento.

RESPOSTA: Sim, é uma comédia, mas é muito mais que isso. Na eleição que opôs Bush e Gore, a decisão foi dada pela Flórida, o último Estado. Poderia facilmente ter sido dada por um único voto e uma máquina quebrada, de modo que a premissa (do filme) é possível.

P: Você vê paralelos com a vida real quando você e Kelsey Grammer, que faz o presidente em exercício, vão a uma pequena cidade do Novo México para tentar conquistar o voto de Bud?

R: É claro, e nós dois mudamos nossas posições para conseguir esse voto. É muito semelhante a assistir ao que está acontecendo na corrida eleitoral maior.

P: O cenário político atual lhe inspira esperança?

R: Sim, acho que o que está acontecendo hoje é muito saudável. Acho que McCain e Obama são as pessoas certas para estarem debatendo quem será nosso próximo presidente. Vamos ouvir os dois lados da discussão, e o momento é bom para fazer uma opção. Há um ressurgimento enorme do interesse pela política, e isso é ótimo.

P: Você também tem vários outros filmes para sair, incluindo “Elegy”, com Penelope Cruz, e “Hell Ride”, produzido por Quentin Tarantino, além de estar atuando no seriado de TV “Crash”. E você tem uma retrospectiva de filmes e exposição de arte em Paris em outubro. Você é workaholic?

R: Acho que sim. Estou no meio de “Crash”, que é baseado no filme premiado com o Oscar. É um papel maravilhoso para mim. Faço um magnata musical, alguém ao estilo de Phil Spector, que brinca com armas e facas. É para a (rede de TV a cabo) Starz, então não há restrições de linguagem ou cenas de sexo.

P: Quando você olha para trás, como vê os anos 1950, 1960 e 1970, quando fez filmes que marcaram época, como “Juventude Transviada”, “Assim Caminha a Humanidade” e “Sem Destino”?

R: Não costumo olhar para trás muito, se bem que, pelo fato de fazer esta retrospectiva em Paris, onde vão exibir 50 filmes e metade de minha coleção de arte e de minha própria criação artística, tenho sido obrigado a fazê-lo. Aquela foi uma época muito especial, quando os loucos realmente conseguiram tomar conta do hospício por um minuto, começando com “Sem Destino”. Durante um momento breve, parecia que realmente havia um movimento de cinema independente. Mas então acabou.

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