Filmes pornográficos dos EUA buscam reconhecimento com prêmio

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 12:07 BRST
 

Por Adam Tanner

LAS VEGAS (Reuters) - Os astros e produtores do setor de cinema adulto dos Estados Unidos se reuniram neste final de semana em Las Vegas para a cerimônia anual do prêmio conhecido como o Oscar da pornografia, lastimando o fato de que era difícil conquistar reconhecimento em meio ao número imenso de filmes pornográficos disponíveis atualmente.

Até mesmo fontes internas do setor admitem que assistir apenas uma fração dos 12 mil filmes pornô produzidos nos EUA no ano passado, para selecionar os vencedores de prêmio em categorias sexuais específicas, era "uma tarefa menos que invejável."

"É um inferno", disse Jay Grdina, presidente da ClubJenna, uma divisão do grupo Playboy . "Eu preferiria atirar na cabeça do que me submeter a isso."

Grdina não sofre de timidez quanto a conteúdo pesado. Ele trabalhou na parte técnica de centenas de filmes, e estrelou outros com sua ex-mulher, Jenna Jameson, talvez o nome mais conhecido na história do cinema adulto.

Depois dos anos 80, os avanços do vídeo, a queda no número de processos judiciais, o surgimento do DVD e a publicidade via Internet criaram um boom sem precedentes para o setor de cinema pornô norte-americano.

Paul Fishbein, editor do Adult Video News, diz que sua equipe assiste a 8.000 filmes por ano, a fim de descobrir os melhores. "É um processo muito longo, e horrível", disse Fishbein em entrevista, dizendo que sua equipe tem 10 pessoas dedicadas à tarefa em tempo integral. "É muito tempo assistindo."

O prêmio do cinema pornô se tornou a maior celebração do setor há 25 anos, e a atual edição foi transmitida ao vivo pela primeira vez em TV a cabo, pelo canal Showtime, divisão da CBS . "É um negócio ingrato", disse Evan Stone, 43, que conquistou o prêmio de melhor ator. "Não temos muito retorno construtivo."

Tera Patrick, a co-apresentadora da cerimônia de premiação, acrescentou: "Deveríamos ser celebrados pelo trabalho difícil que realizamos."

Muita gente diz que o prêmio confere legitimidade a um setor que continua a ser rejeitado pela mídia mais tradicional. "Nós agora estamos mais visíveis," diz Randy Spears, 46, que trabalha no ramo há 22 anos. "Nosso público não é mais formado por homens vestidos em capas de chuva."