Filme sobre Iraque mostra soldados "viciados" em perigo

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 12:37 BRT
 

Por Mike Collett-White

VENEZA (Reuters) - Em "The Hurt Locker", o mais recente filme sobre a guerra no Iraque, um especialista em desativação de bombas vai além do que é seu dever e percebe que apenas uma coisa o faz sentir-se realmente vivo: brincar com a morte.

Em seu primeiro longa-metragem em seis anos, a diretora Kathryn Bigelow explora a razão pela qual muitos homens optam por combater, numa época em que a maioria dos Exércitos é composta mais por voluntários do que por soldados recrutados por obrigação.

O sargento William James (Jeremy Renner) assume a direção de uma equipe de desativação de bombas em Bagdá, e em pouco tempo intensifica o perigo da ação, indo para lugares onde não precisaria.

O filme faz sua estréia nesta quinta no Festival de Cinema de Veneza e é repleto de tensão e violência, pintando um retrato basicamente favorável de um grupo de homens que se vê em meio a um inferno vivo que afeta a cada um de uma maneira.

Para um soldado paranóico que conta os dias até sua volta para casa, cada pilha de lixo nas ruas pode ser uma bomba, e cada transeunte, um assassino.

O roteirista Mark Boal, que esteve no Iraque como repórter em 2004, comentou: "É quase um segredinho sujo da guerra o fato de que, por horrível que seja, existem alguns homens que acabam gostando da experiência, graças a sua intensidade."

Bigelow, que dirige seu primeiro longa desde o drama "K-19: The Widowmaker", de 2002, disse que quer colocar o público nas situações enfrentadas diariamente pelos soldados no Iraque. Conhecida principalmente por "Caçadores de Emoção", de 1991, com Keanu Reeves e Patrick Swayze, a diretora norte-americana disse: "Acho que essa guerra é muito mal reportada em meu país, e essa é outra razão para tratá-la no cinema."

O produtor Greg Shapiro reconheceu que os filmes sobre a invasão e ocupação norte-americana do Iraque vêm tendo dificuldade em encontrar público nos EUA.

"Até agora não tem havido grande desejo de assistir a eles, mas esperamos que este filme mostre a guerra sob uma ótica nova, que as pessoas ainda não viram. Assim, temos a esperança de que ele rompe com essa tendência nos EUA."