Pinturas clássicas sofreram influência de vulcões

sexta-feira, 5 de outubro de 2007 14:01 BRT
 

Por Karolos Grohmann

ATENAS (Reuters) - Dezenas de obras-primas de pintores dos séculos 16 ao 19 podem ter recebido uma ajuda das erupções vulcânicas que lançaram cinzas na atmosfera, deixando o pôr-do-sol mais espetacular, revelou um estudo grego.

O uso da cor por artistas como J.M.W. Turner, renomado pela maneira evocativa em que pintava a luz, Rembrandt, Rubens, Degas e Gainsborough, e sua ligação com erupções vulcânicas, é incrível, disse o professor de física atmosférica grego Christos Zerefos.

De acordo com Zerefos, a erupção do vulcão indonésio Tambora, em 1815, lançou cinzas que chegaram até a Europa, cobrindo o continente num véu e transformando 1816 num "ano sem verão".

"Turner mostrou isso em suas auroras e seus pores-do-sol", disse o professor à Reuters na quinta-feira.

Outras erupções notáveis que influíram sobre os crepúsculos pintados incluem a do vulcão Krakatoa, na Indonésia, em 1883.

Zerefos disse que usou um índice de véu de poeira, criado pelo climatólogo britânico Hubert Lamb no século 20 para estudar os vulcões e sua relação com o clima.

O índice quantifica o impacto a poeira e dos aerossóis lançados no ar por uma erupção vulcânica específica nos anos que se seguem ao evento.

"A correlação entre o índice de véu de poeira e a razão de cores vermelha e verde em pinturas é incrível", disse Zerefos. "Parece que os aerossóis mostrados pelas pinturas em seus panos de fundo estão mais presentes quando são precedidos por erupções vulcânicas."   Continuação...