Vaticano critica "A Bússola de Ouro" por ser destituído de Deus

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 18:56 BRST
 

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Vaticano condenou na quarta-feira o filme "A Bússola de Ouro", tachado por alguns de anticristão, dizendo que ele promove a idéia de um mundo frio, sem Deus e caracterizado pela desesperança.

Num editorial longo, o jornal do Vaticano l'Osservatore Romano também fez duras críticas a Philip Pullman, autor do best-seller sobre o qual é baseado o filme de fantasia voltado ao público familiar.

Foi a crítica mais dura feita pelo Vaticano a um autor e um filme desde a condenação que fez de "O Código Da Vinci", em 2005 e 2006.

"No mundo de Pullman a esperança simplesmente não existe, porque não existe salvação senão na capacidade pessoal e individualista de controlar a situação e dominar os acontecimentos", disse o editorial.

O filme, que fez sua estréia neste mês e é estrelado por Nicole Kidman e Daniel Craig, é uma adaptação do livro aclamado "A Bússola Dourada", de Philip Pullman. O longa estréia no Brasil na terça-feira de Natal.

O jornal do Vaticano disse que os espectadores honestos vão constatar que o filme é "destituído de qualquer emoção em especial, além de uma grande frieza".

No mundo de fantasia criado pela trilogia "Fronteiras do Universo", de Pullman, a Igreja e a instância que a rege, conhecida como Magisterium, estão ligadas a experimentos cruéis com crianças, visando descobrir a natureza do pecado, além de tentativas de acobertar fatos que prejudicariam a legitimidade e o poder da Igreja.

Na versão feita para o cinema, todas as referências à Igreja foram eliminadas. O diretor Chris Weitz não quis correr o risco de ofender o público religioso.   Continuação...